A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu a fala do  promotor paulista Cassio Conserino nesta quarta-feira, 17. Segundo os  advogados, o promotor novamente demonstrou “antecipação de juízo de  valor” ao insinuar que o ex-presidente se consideraria “acima da lei”.

Lula  e a mulher Marisa Letícia iriam depor em São Paulo, mas a oitiva foi  suspensa por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“A  nota lida pelo promotor de justiça Cassio Roberto Conserino nesta data,  ao insinuar que o ex-Presidente se consideraria ‘acima e à margem da  lei’ implica em nova antecipação de juízo de valor, deixando clara a  parcialidade que inspira a sua atuação no caso concreto. Também mostra  que Conserino resiste à autoridade e competência do CNMP ao sustentar  que a decisão liminar proferida não passou de um erro de seu eminente  Conselheiro prolator”, diz o documento assinado pelos advogados  Cristiano Zanin Martins e Nilo Batista.

Os defensores dizem  também que Lula e seus familiares “atenderam a todos os pedidos feitos  pela Justiça e pelos órgãos de investigação até a presente data”. “Não  temem qualquer investigação desde que conduzida por autoridades  imparciais no exercício de suas atribuições legais, ou seja, uma  investigação que não esteja acima da lei”, diz o documento, devolvendo a  provocação a Conserino, usando os mesmos termos do promotor.

O  Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), deferiu parcialmente  recurso apresentado pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), aliado de  Lula, na noite de ontem. A decisão monocrática foi tomada pelo  conselheiro Valter Shuenquener, que decidiu levar ao plenário do  colegiado a questão do ‘promotor natural’. O plenário deve analisar o  caso na próxima terça-feira, 23.

A defesa de Lula e aliados  alegam que a investigação não caberia a Conserino. O MP-SP, por sua  vez, defende o direito do promotor de conduzir o processo.

Lula  e Marisa Letícia seriam ouvidos nesta quarta-feira, no Fórum Criminal  da Barra Funda, em São Paulo, sobre suposta ocultação de patrimônio  ligada à propriedade de familiares do petista de um tríplex no Guarujá,  no litoral paulista. A liminar do CNMP suspendeu o depoimento.