Os advogados de Branislav Kontic, o Brani, pediram ao juiz federal  Sérgio Moro que o coloque em regime de prisão domiciliar. A defesa alega  que Brani “apresenta grave quadro patológico ansioso e depressivo” e  tentou o suicídio na carceragem da Polícia Federal no sábado, 1.

Brani  foi preso em regime temporário no dia 26 de setembro com o ex-ministro  Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), ambos  alvos da Operação Omertà – desdobramento da Lava Jato sobre propina de  R$ 128 milhões da empreiteira Odebrecht, parte supostamente destinada ao  PT e para cobrir despesas da campanha presidencial que elegeu Dilma  pela primeira vez, em 2010.

Na sexta-feira, 30 de setembro,  o juiz Moro converteu em preventiva a prisão temporária de Palocci e de  Brani, ou seja, ambos ficarão presos por tempo indeterminado.

No dia seguinte, Brani ingeriu dezenas de comprimidos e teve de ser levado a um hospital de Curitiba, onde foi medicado.

“Como  amplamente divulgado pelos meios de comunicação social, o requerente  (Brani) atentou contra a própria vida enquanto se achava no cárcere da  Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Paraná,  mediante a ingestão de medicamento antidepressivo em dosagem  potencialmente letal, circunstância, aliás, que já é de conhecimento  desse Juízo”, destacam os criminalistas José Roberto Batochio e  Guilherme Octávio Batochio.

Os advogados afirmam que Brani “apresenta grave quadro patológico ansioso e depressivo, moléstia de que padece há longos anos”.

Eles  entregaram a Moro declaração de 6 de outubro do médico psiquiatra que  acompanha Brani há muitos anos, Ricardo Prado Pupo Nogueira. “O sr.  Branislav Kontic me procurou pela primeira vez na data de 29 de novembro  de 1996 com quadro de ansiedade. Foi medicado com Pamelor no início  10mg ao dia e depois, 30mg ao dia. O quadro foi revertido e meu último  contato com ele foi em 24 de junho de 1997 quando ele usava apenas 10mg  do Pamelor. Só fui procurado novamente por ele agora em 29 de maio de  2015 com quadro ansioso e depressivo. Introduzi novamente o Pamelor que  tinha sido eficiente na primeira situação, e a dose foi sendo aumentada  até 50mg. Dose essa que até então nunca tinha sido usada com ele,  evidenciando um quadro mais grave. Meu último contato com ele foi em 8  de setembro de 2016.”

A defesa também juntou ao pedido  declaração da psicóloga Janice Rechulski. “A quem possa interessar.  Atesto, que Branislav Kontic encontra-se em processo terapêutico comigo  há doze anos. Buscando auto-conhecimento para melhor lidar com aspectos  asiogenos e depressivos. Sendo assim, a situação atual em que se  encontra tende a potencializar os aspectos de dor e morte.”

“Diante  do preocupante e crônico quadro clínico retratado nos pareceres  médicos, teme-se que o Requerente (Brani), nas condições em que se  encontra, possa vir a ser, novamente, levado ao estado de anulação de  seus instintos básicos. Eis porque, diante dessa angustiante e dramática  situação, notadamente para si próprio e para seus familiares, se não  por outras, ainda que seja por razões humanitárias, requer-se, com  fundamento nos artigos 318, inciso II, do Código de Processo Penal, seja  a prisão preventiva a que se acha submetido substituída por prisão  domiciliar, em que poderá ser submetido ao tratamento que lhe vinha  sendo dispensado, por profissionais especializados e sem ônus para o  Erário”, pedem os criminalistas.

Os Batochio citam  jurisprudência sobre o tema – “é admitida a concessão de prisão  domiciliar humanitária ao condenado acometido de doença grave que  necessite de tratamento médico que não possa ser oferecido no  estabelecimento prisional ou em unidade hospitalar adequada”.

Os  advogados destacam que Brani é sociólogo, professor da Universidade de  São Paulo, “pessoa absolutamente pacífica e sem qualquer registro  criminal em seu passado”.