30/09/2026 - 14:27
O déficit primário das estatais federais alcançou R$ 6,5 bilhões até agosto de 2026, representando o maior rombo registrado para o período desde 2002. Os dados, divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, indicam uma piora em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o déficit foi de R$ 5,569 bilhões.
O que aconteceu
- O déficit primário das estatais federais atingiu R$ 6,5 bilhões até agosto de 2026, o maior para o período desde 2002.
- Apesar do acúmulo anual, as empresas públicas da União registraram superávit de R$ 1,759 bilhão em agosto, impulsionado pela melhora nas receitas.
- O Ministério da Gestão argumenta que o déficit nem sempre indica problemas de saúde financeira, podendo refletir investimentos futuros e sugere o resultado contábil como melhor parâmetro.
No mês de agosto, contudo, o conjunto de empresas públicas da União registrou um superávit de R$ 1,759 bilhão. Esse resultado foi impulsionado por uma melhora nas receitas auferidas no mês, algo que não é usual, como destacou Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central. Em agosto de 2025, por outro lado, havia sido registrado um déficit de R$ 44 milhões.
No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit totaliza R$ 6,085 bilhões, o que corresponde a 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB).
O que significa o déficit das estatais?
O resultado primário calcula a diferença entre despesas e receitas. A estatística do Banco Central considera as estatais não-financeiras que são independentes do Tesouro Nacional, ou seja, aquelas que não dependem de recursos da União para funcionar, excluindo a Petrobras. Contudo, um aumento do déficit pode sinalizar dificuldades de caixa para essas companhias, levantando o risco de necessitarem de socorro financeiro do Tesouro Nacional.
Em contraponto, o Ministério da Gestão defende que o déficit não é o melhor indicador para avaliar a saúde financeira das estatais. Segundo a pasta, tal resultado pode significar que a empresa está realizando investimentos estratégicos visando a um crescimento futuro mais robusto. Para o Ministério, o resultado contábil – lucro ou prejuízo – seria um parâmetro mais adequado, similar ao adotado por empresas privadas.
Estatais em reestruturação
Apesar da ressalva, o governo reconhece desafios em algumas estatais, citando os Correios como exemplo. A empresa tem acumulado prejuízos significativos, com um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e uma expectativa de valor ainda maior para 2026. Até junho deste ano, o prejuízo acumulado já somava R$ 5,5 bilhões. Para enfrentar essa situação, um plano de reestruturação está em andamento, buscando reerguer a estatal.
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