29/12/2025 - 15:33
O Governo Central – que engloba as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central – registrou um déficit primário de R$ 20,2 bilhões no mês de novembro, um desempenho inferior ao saldo negativo de R$ 4,5 bilhões observado em novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o rombo alcançou R$ 83,8 bilhões, contra R$ 67 bilhões no mesmo período em 2024, aumento real de 16,6%. Os dados foram apresentados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 29.
Economistas projetavam um rombo menor, de R$ 13,5 bilhões, segundo pesquisa da Reuters.
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A deterioração do resultado primário em novembro foi influenciada por uma redução real de 2,6% na receita total, que somou R$ 218,4 bilhões. Entre as principais quedas destacam-se as receitas com dividendos e participações, como da Petrobras, que recuaram R$ 6,9 bilhões, e as concessões e permissões, com redução de R$ 4,7 bilhões. Por outro lado, a arrecadação do Imposto sobre a Renda cresceu R$ 5,1 bilhões no período.
Do lado dos gastos, a despesa total cresceu R$ 7,1 bilhões acima da inflação. O aumento foi puxado pelos benefícios previdenciários, que tiveram alta de R$ 3 bilhões (3,9% real), e pelas despesas discricionárias, que saltaram R$ 3,9 bilhões (27,3% real) em relação a novembro de 2024.
O déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) no acumulado de 12 meses até novembro totalizou R$ 321,2 bilhões. Já a receita líquida registrou uma queda real de 4,8% em novembro na comparação anual, totalizando R$ 166,9 bilhões. As despesas primárias subiram 3,4% em termos reais no acumulado do ano, passando de R$ 1,9 trilhão para R$ 2,1 trilhões.
O resultado primário do Governo Central acumulado em 12 meses, até novembro de 2025, foi de déficit de R$ 57,4 bilhões, equivalente a 0,47% do PIB. As despesas do governo central atingiram 18,81% do PIB no período.
O déficit RGPS + RPPS Civil e Pensões/Inativos Militares totalizou R$ 442,6 bilhões (3,5% do PIB) no acumulado em 12 meses até novembro de 2025.
Questionado sobre estimativas para o resultado de dezembro e se o governo atingirá a meta fiscal deste ano, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que projeções mostram um resultado intermediário entre o piso e o centro do objetivo fiscal.
“Imagino que ele vai ficar em um meio termo ali entre o piso e o centro da meta”, disse Ceron em entrevista coletiva para divulgação dos dados de novembro. “Talvez um pouquinho mais próximo do centro.”
“Caminhamos firme para o cumprimento da meta fiscal. Mas eu diria que, hoje, com o retrato que nós temos, o resultado primário está pendendo a ser da ordem mais próximo de R$20 bilhões positivo em dezembro, o que garantiria o cumprimento da meta fiscal com alguma folga”, acrescentou.
O resultado de dezembro será reforçado pelas receitas de dividendos, que, segundo Ceron, já estavam previstas na programação da pasta, que devem atingir cerca de R$13 bilhões em dezembro.
No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$57,4 bilhões, o equivalente a 0,47% do Produto Interno Bruto.
A meta de resultado primário do ano é de déficit zero com uma banda de tolerância de 0,25% do PIB, o equivalente a R$31 bilhões.
*Com informações de Reuters
