25/09/2014 - 17:28
O Grupo Delp, empresa mineira de bens de capitais, prevê crescer 15% em seu faturamento, passando de cerca de R$ 160 milhões no ano passado para um pouco mais de R$ 180 milhões em 2014. Porém, conforme o presidente do Conselho de Administração do Grupo, Humberto Machado Zica, os investimentos da companhia estão parados, devido ao cenário macroeconômico e político nacional incerto.
“Em 2014, os aportes serão de cerca de R$ 3 milhões. Se não fossem essas incertezas, investiríamos o dobro”, disse o executivo após participar do 2º Seminário Mineiro de Governança Corporativa, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC) e Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Segundo ele, praticamente o único investimento mais relevante de 2014 foi contratado no ano passado: uma célula robotizada de solda que está em processo de instalação na unidade de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte, e deve entrar em operação em 15 dias. Os gastos foram de R$ 1,5 milhão. “A solda é nosso principal processo fabril, onde temos maior número de funcionários, e por conta de não conseguirmos achar funcionários qualificados decidimos robotizar”, explicou.
Zica afirmou que, mesmo com um cenário incerto e de desaceleração da economia e de alguns setores em que atua, como siderurgia, mineração, petróleo e gás, 2014 está sendo um ano bom. “Temos 40 contratos financeiramente relevantes em carteira. Acabou que alguns de nossos concorrentes nacionais entraram em recuperação judicial, devido a dívidas altas e abertura de muitas fábricas, com difícil manutenção de utilização de capacidade. A concorrência segue acirrada, mas diminuiu um pouco. Fomos mais mineiros: nosso ritmo de expansão foi menor, mais contido e nos endividamos menos”, explicou, citando que os chineses são um dos grandes concorrentes, com preços até 50% menores.
Para ele, 2015 será ainda um período bom para o grupo, pois há “negócios em andamento”, mas 2016 será um ano crítico. “2016 vai ser o problema porque o próximo presidente da República vai ter que fazer um ajuste na economia e aí veremos uma desaceleração mais acentuada no nosso setor de bens de capital e investimento”, disse. Entretanto, ele confia na retomada do crescimento da economia nacional, principalmente do segmento de petróleo e gás, que responde por 80% do faturamento da companhia.
São Francisco
O Grupo Delp é uma das empresas que possuem concessão para explorar gás em três blocos da bacia de São Francisco, no norte do Estado. As áreas para exploração foram concedidas em 2005 e em 2008. Conforme o executivo, o grupo investiu R$ 40 milhões até o momento e hoje está em “compasso de espera”. “Houve algumas alterações do licenciamento ambiental na regulação da medida provisória sobre o fraturamento hidráulico e estamos aguardando a consolidação dessa nova regra. Ao mesmo tempo, pediremos nos próximos dias à Secretaria de Estado do Meio Ambiente dois licenciamentos ambientais para fazer a perfuração e reentrar no poço”, informou.
O presidente comentou que o Grupo Delp tem dois projetos em desenvolvimento em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Um deles é um separador de tratamento de óleo e água para aplicação em offshore, que economiza espaço na plataforma. “Fizemos protótipo em 2014, após quatro anos de desenvolvimento e esperamos que ele esteja pronto ainda nesse ano para colocar em testes e começar as vendas em 2015. É uma tecnologia 100% mineira, em convênio com a faculdade de Itajubá, que é centro de excelência para a Petrobras e para o setor em tratamento primário de óleo”, falou. O novo produto, inclusive, servirá para impulsionar as vendas da companhia no exterior, como Golfo do México e Mar do Norte.