A demanda por celulose na China foi retomada, segundo o presidente da Fibria, Marcelo Castelli. “A demanda por celulose está de volta, presente e firme”, disse, justificando assim o aumento de preço anunciado na segunda-feira, 30, para US$ 550 por tonelada na China.

Questionado se novos aumentos estão previstos, Castelli disse que um preço maior é desejável, mas não neste momento. “Não é impossível um novo aumento, mas US$ 550/t é um patamar adequado. O aumento na Ásia é de escada e não de elevador.”

O presidente da Fibria destacou ainda que, do quarto trimestre de 2015 para o primeiro trimestre de 2016, a empresa teve a menor queda de preço líquido do mercado. “No primeiro trimestre, já dizíamos que ocorria um ajuste momentâneo na China e não tínhamos uma visão ácida do negócio de celulose.” Castelli lembrou, contudo, que ajustes foram feitos, como adequação de volumes para cada mercado e antecipação de parada para manutenção.

Além do novo preço para a China, a Fibria anunciou também na segunda-feira o aumento para US$ 710 por tonelada na Europa e US$ 870 por tonelada na América do Norte. Os novos valores passam a ser aplicados amanhã, dia 1º de junho.

Investimentos

O ajuste nos investimentos da Fibria para expansão da fábrica de celulose em Três Lagoas (MS), de US$ 2,2 bilhões para US$ 2,4 bilhões ocorreu pela variação do dólar, explicou Guilherme Cavalcanti, vice-presidente financeiro da Fibria, em teleconferência com a imprensa na tarde desta terça-feira, 31.

Cavalcanti lembrou que essa alteração ocorre porque a maior parte dos financiamentos será realizada em reais, cerca de 60%, e 30% em dólares. O executivo também ressaltou que o capex (investimento)em reais está mantido em R$ 8,7 bilhões.

Os financiamentos para o projeto também já foram contratados e garantidos, segundo Cavalcanti, que destacou os aportes firmados neste ano, como do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 2,3 bilhões e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). O custo médio estimado de financiamento é de 2,1% ao ano, em dólar.

Questionado sobre o impacto na alavancagem da empresa – medida pela relação dívida líquida e Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) -, Cavalcanti disse que dependerá das condições do câmbio e preço da celulose.

Hoje, a expansão da fábrica de Três Lagoas completa um ano de seu anúncio. A expansão física atingiu 32,5% e a distribuição dos investimentos, 15%. A Fibria também atualizou hoje a capacidade de produção anual de celulose da unidade, de 1,750 milhão de toneladas em maio de 2015 para 1,950 milhão de toneladas atualmente.