Dezoito mil toneladas de escombros. Foi o que restou da sede da TAM Express na avenida Washington Luís, zona sul de São Paulo, quatro segundos após a implosão do prédio no domingo 5. Se no primeiro momento da tragédia com o vôo 3054 diretoria e funcionários ficaram em choque e de luto, agora que a poeira baixou – literalmente – a empresa tenta retomar a rotina de trabalho. É uma tarefa difícil. “Perdemos sete colaboradores diretos, três dos quais eram gerentes de unidade, e mais três prestadores de serviço”, diz Marcelo Rodrigues, diretor de cargas da TAM. “O trauma é grande, mas existe uma determinação forte de continuar, até em respeito a eles.” Se lidar com a perda de vidas já é complicado, imagine uma empresa sem material de trabalho. Junto com o galpão, foi-se toda a parte física da empresa, exceto os setores financeiro, jurídico e de contabilidade, que ficam nos hangares dentro da área aeroportuária de Congonhas. Documentos, papéis, contratos – só se recuperou o que estava nos sistemas, ou o que tinha uma segunda via. As equipes da TAM Express fizeram uma mudança às pressas para a sede da TAM na rua Tamoios, atrás do aeroporto, para não deixar que a base parasse. E ela não podia parar por um motivo simples: Congonhas é o cérebro das operações da divisão de cargas, que realiza 600 vôos diários e cuja atuação se estende por quase quatro mil cidades no País e no Exterior. No primeiro trimestre, a empresa respondeu por R$ 156,7 milhões do faturamento do grupo, crescimento de 52% sobre o mesmo período do ano passado.

Nesse novo espaço, um hangar de quase dois mil metros quadrados, tudo ainda é meio improvisado. Faltam placas indicativas, a guarita é temporária e salas de reunião viraram salas de trabalho. Boa parte da mobília foi retirada dos escombros e reaproveitada. Apesar disso, a empresa diz que já conseguiu retomar a capacidade de atendimento. “O novo espaço deles tem uma distribuição física melhor, com maior possibilidade de expansão. É questão de tempo até se recuperarem”, diz um especialista em aviação ouvido por DINHEIRO. Segundo Rodrigues, mudar para lá já estava nos planos. “Por questões operacionais, sairíamos do imóvel destruído no curto prazo. O acidente apenas acelerou esse processo.” Quanto ao pessoal, houve acompanhamento de psicólogos, algumas licenças e recrutamentos de outras cidades para recompor o quadro da base de Congonhas. “Foi difícil para todos nós, mas estamos muito unidos, mais do que nunca”, conta um funcionário. Para especialistas, a TAM precisará contar com a passagem do tempo para cicatrizar feridas. “Quando o prédio deixou de existir, de certa forma eles perderam o referencial, a identidade. A empresa nessa hora tem que ter muita sensibilidade e paciência, pois enfrentará as mais diferentes reações”, aponta Carlo Airoldi, consultor de gestão de mudanças da ProBusiness.

Nesse setor, de transporte de cargas, sobretudo nos segmentos que utilizam o conceito “overnight” (entregas no dia seguinte), atendimento é o diferencial. A TAM Express precisou correr atrás do prejuízo para não afugentar os clientes. As perdas totais ainda não foram contabilizadas, mas a empresa afirma que 80% das encomendas que estavam no terminal à hora do acidente foram recuperadas e enviadas ao longo da semana. No site, publicou instruções de como os clientes devem proceder para entrar com pedidos de indenizapsição por avarias ou destruição de produtos. Com as operações entrando nos eixos, a empresa reprograma prioridades em função do acidente e do rearranjo da equipe, mas mantém em curso os planos de negócio originais. “A retomada está acontecendo. Trabalhamos num projeto de expansão que deve ser divulgado no final do ano”, anuncia o diretor.