02/04/2008 - 7:00

O COMANDO DA FAZENDA TRAZ UMA ATRIBUIÇÃO QUE NÃO está escrita, mas que muitos vêem como obrigação. Ministro que é ministro tem que lançar um pacote. Com Guido Mantega não é diferente e ele já espalhou os seus. Mas o que tem marcado sua atuação é a eficácia com que cria pacotes ? e não os decreta. Na semana passada, aconteceu de novo. Preocupado com um possível contágio da crise americana no Brasil, que seria provocado pelo excesso de crédito ao consumidor, Mantega espalhou a tese de que o governo deveria restringir o acesso da população às compras, em particular ao financiamento de veículos. Como os prazos chegam a 99 meses, haveria falta de rigor na análise de crédito, criando riscos de bolhas. Mas a chiadeira foi tão grande que o ministro teve de se explicar ao presidente Lula, na segunda-feira 24, sobre aquilo que, na Esplanada, foi apelidado de Programa de Desaceleração do Crescimento, o PDC. ?Seria um desastre?, critica Sérgio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. ?Isso travaria a economia, justamente no momento em que o governo quer aumentar a produção das montadoras de três milhões para cinco milhões de unidades/ano.? Com operações de R$ 957 bilhões, o crédito representa hoje pouco mais de 30% do PIB e estima-se que possa chegar a 40% até o fim do ano. Graças a isso, o País poderá crescer cerca de 6% em 2008. Mantega falava em conter o crédito para evitar que o Banco Central, de Henrique Meirelles, elevasse os juros nas próximas reuniões. Seria uma manobra preventiva. Mas a idéia repercutiu mal porque penalizaria a população de baixa renda e também os investimentos. Diante das reações, Mantega recuou. Ainda assim, na quarta-feira 26, ele se reuniu com a Federação Brasileira de Bancos. Ali, Mantega ouviu que o mercado está tranqüilo quanto aos riscos do jogo. ?Se o senhor confia na economia, temos de confiar também?, disse um dos banqueiros. Sinal de que os empresários topam tudo, menos o PDC.