A comissão de deputados europeus que visita a Venezuela negou nesta quinta-feira que sua visita ao país seja uma “ingerência”, afirmando que o grupo apenas busca conhecer a situação política e econômica um mês antes das eleições legislativas venezuelanas.

“Evidentemente (a visita) não é uma ingerência. Pelo contrário, queremos nos reunir com absolutamente todo mundo (…) Estamos cumprindo o mandato do Parlamento Europeu para manter contato com a sociedade civil, com a oposição, com o governo e com as instituições”, declarou Gabriel Mato, do Partido Popular espanhol.

Mato e os também espanhóis Fernando Maura (ALDE) e Ramón Jáuregui (Partido Socialista Operário Espanhol) chegaram a Caracas nesta quinta-feira, para preparar a visita de uma delegação mais ampla do Parlamento Europeu.

“Viemos para escutar”, disse Mato, insistindo que trata-se de uma missão “muito exploratória”.

O presidente do Parlamento da Venezuela e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, criticou a visita e se negou a receber os parlamentares. “O dia em que a rã tiver cabelo eu vou recebê-los. Não são bem-vindos estes eurodeputados que se intrometem nos assuntos da Venezuela”.

Maura disse que gostaria de se reunir com Cabello para conhecer seus pontos de vista, mas admitiu que será difícil manter uma reunião com representantes do governo venezuelano. “Não há um grande ânimo” para isto.

O deputado acrescentou que a comissão quer visitar políticos opositores detidos, como Leopoldo López, mas também admitiu que “será complicado” porque não há autorização das autoridades venezuelanas.

López está detido na prisão militar de Ramo Verde, cumprindo uma pena de quase 14 anos, por instigar à violência nos protestos contra o governo em 2014, que deixaram 43 mortos.

O deputados europeus, que concluem no sábado sua visita, devem se reunir com dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e com o núncio apostólico Aldo Giordano.

A MUD lidera as pesquisas para as legislativas de 6 de dezembro, que elegerão 165 deputados. Atualmente, a Assembleia Nacional está controlada pelos “chavistas”.