Regulação previsível, esse é um dos principais clamores dos investidores estrangeiros para que possam aportar capital no Brasil. O problema foi apontado pelo chairman do Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme. “É necessária uma política de IOF, tributação e outros pontos de regulação que sejam previsíveis e que forneçam segurança aos investidores”, disse o executivo em evento da Cetip, em São Paulo.

De acordo com Leme, o mercado de capitais brasileiro tem capacidade de responder às micropolíticas para que o setor avance, porém, os desequilíbrios macroeconômicos do País diminuem o impacto dessas medidas. “Tendo política fiscal mais enxuta, câmbio na direção correta e crédito do banco público adequado, evitamos aberrações.”

Outro ponto abordado por Leme foi a importância da poupança. “Temos que aumentar o grau de poupança, diminuindo o financiamento externo. Só isso poderá fechar nossa equação entre crescimento e desenvolvimento.” De acordo com levantamento do Ibge, apresentado pelo executivo, a renda disponível bruta no Brasil é de 4,7 trilhões, sendo que somente 674 bilhões vão para a poupança bruta.

Com um cenário de “despoupanca”, Leme explica que o mercado de capitais é diretamente afetado, pois fica difícil vender produtos para investidores que estão deixando de poupar. “Minha conclusão é que precisamos de um esforço para recompor a finança doméstica e esses investimentos precisam vir, em boa parte, do investidor estrangeiro”

Resumindo, Leme destacou os principais pontos para avançar com o mercado em renda fixa. Entre os principais pontos, estão cumprir a meta de inflação de 4,5%, reduzir dívida pública, aumentar taxa de poupança e liberar os recursos para o desenvolvimento do mercado privado de títulos.