O sucesso nocauteou a americana Atkins Nutritionals. Inventora da dieta de baixo consumo de carboidratos (low carb), que se tornou um fenômeno sócio-econômico, a empresa entrou em concordata na semana passada. Com dívidas de US$ 325 milhões e ativos de US$ 300 milhões, a Atkins apelou ao Capítulo 11 da legislação americana para se proteger da fome dos credores e tentar reorganizar a casa. O regime da proteína, criado pelo médico Robert Atkins, pregava um jeito diferente de perder peso: não comer quase nada de pães e massas e se lambuzar à vontade com carnes e frituras. Foi um sucesso entre 2002 e 2004. Só nos EUA, 25 milhões de pessoas seguiram os preceitos do médico. E um mercado de US$ 40 bilhões anuais surgiu a partir do método. Kraft, Nestlé, Unilever, Coca-Cola e outras lançaram dezenas de produtos low carb.

Aí começou a derrocada da Atkins. Ela também faturava alto com uma linha própria de cem itens com essa característica, mas não teve estômago para suportar a pesada concorrência. Ao mesmo tempo, estudos apontaram que a dieta era pouco saudável e causava problemas como pedra nos rins. Para piorar, a imprensa americana revelou que, ao morrer, em abril de 2004, Atkins (ele escorregou e bateu a cabeça) estava obeso e sofria do coração.

Na semana passada, a companhia, que tem participação dos bancos Goldman Sachs e Parthenon Capital, obteve financiamento de US$ 25 milhões para começar a se reestruturar. Seu presidente, Mark Rodriguez, adiantou que o foco agora serão os shakes dietéticos e produtos mais saudáveis, como barras de cereais. A empresa até já lançou um livro com uma versão mais light da dieta (incluiu frutas e carne branca). Segundo pesquisa do NPD Group, 9,1% dos americanos estavam em dieta low carb em fevereiro de 2004. O índice caiu para 3,6%. A receita do Dr. Atkins definhou.