O Brasil é atingido simultaneamente pelo aquecimento global, o  fenômeno climático El Niño, e por um dos maiores desastres ambientais de  sua história, após a ruptura de uma barragem de rejeitos de minério em  Minas Gerais, declarou nesta segunda-feira a presidente Dilma Rousseff.

A presidente brasileira, em seu discurso na sessão de abertura da  Conferência do Clima de Paris (COP21), reafirmou os objetivos do Brasil  de reduzir até 2030 em 43% as emissões de gases do efeito estufa em  comparação com os níveis de 2005.

Uma “meta muito ambiciosa”, que demonstra o compromisso do gigante  sul-americano na tentativa de limitar o aquecimento global a um máximo  de 2°C em relação aos níveis pré-industriais.

Dilpa Rousseff também reiterou a promessa de reduzir a zero o  desmatamento ilegal na Amazônia, apesar de extração ilegal de madeira  ter aumentado 16% em 2014, segundo dados oficiais.

Em seu discurso aos 150 líderes que participam da sessão de abertura  da Conferência, Dilma destacou a difícil situação em seu país.

“Temos enfrentado chuvas, inundações. O fenômeno El Niño nos atingiu  duramente” e a “ação irresponsável de uma empresa causou o maior  desastre ambiental da história do Brasil na bacia hidrográfica do Rio  Doce”, ressaltou.

A presidente estava se referindo à ruptura em 5 de novembro de um  reservatório de resíduos de minério perto da histórica cidade de  Mariana, no estado de Minas Gerais, que desencadeou um tsunami de lama  que soterrou a cidade de Bento Rodrigues, com um saldo de 13 mortos e  dezenas de desaparecidos.

A torrente de lama e resíduos de mineração percorreu mais de 650 km a  partir do leito do rio, cruzando os estados de Minas Gerais e Espírito  Santo, antes de desaguar no Oceano Atlântico, o que também está causando  danos ambientais graves.

Em sua passagem, tem matado milhares de animais, devastado áreas de  floresta protegidas, além de ter deixado 280.000 pessoas sem água.

“Estamos reagindo ao desastre com medidas de redução de danos, de  apoio às populações afetadas (…) e punindo severamente os responsáveis    por esta tragédia”, afirmou Dilma.

O Brasil anunciou na sexta-feira que abrirá um processo contra a  empresa mineradora Samarco e suas proprietárias Vale e BHP Billiton,  cobrando 5,2 bilhões de dólares para compensar as vítimas do desastre.