O sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será definido em 31 de outubro, quando ocorrerá o segundo turno das eleições à Presidência, que será disputado entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra, informou o Tribunal Superior Eleitoral.

“Podemos confirmar que haverá segundo turno nas eleições presidenciais”, disse o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski.

Com 99% das urnas apuradas, a candidata do presidente Lula, que liderou as pesquisas com ampla vantagem desde o início da campanha, alcançava 46,8% dos votos válidos, contra 32,6% de seu principal adversário, José Serra, ex-governador de São Paulo.

A surpresa do dia foi a votação obtida pela candidata do PV, Marina Silva, que somava 19,4%, muito acima do estimado pelas pesquisas, o que a tornou a candidata mais votada entre os presidenciáveis em Brasília e a segunda mais votada no Rio de Janeiro.

Lula, que encerra seu governo em 31 de dezembro e sai como o presidente mais popular da história do país, com 85% de aprovação, também teve que ir ao segundo turno em 2002, quando foi eleito, e também quatro anos depois, na reeleição.

Em discurso na sede de seu comitê de campanha, Dilma agradeceu os votos recebidos e prometeu ter “garra e energia” para disputar o segundo turno. “Quero agradecer o apoio que recebi. Esta campanha é um momento especial em minha vida. Encaro este segundo turno com muita garra e energia, porque terei a oportunidade de detalhar propostas e projetos”, disse Rousseff.

A candidata disse estar acostumada a desafios, pois “tradicionalmente temos bom desempenho no segundo turno das eleições”. Afirmou ainda estar certa de que terá um “importante processo de diálogo com a população” no segundo turno.

Rousseff estava acompanhada de seu candidato a vice-presidente, Michel Temer, e várias lideranças partidárias.

Dos quatro maiores institutos de pesquisas, dois (Ibope e Datafolha) tinham indicado a possibilidade de um segundo turno eleitoral, enquanto outros dois (Sensus e Vox Populi) apontavam uma vitória de Rousseff no primeiro turno.

No entanto, os quatro institutos falharam em prever o fator real que impediu a vitória de Rousseff no primeiro turno: o forte crescimento da candidata Marina Silva, que duplicou seus votos em duas semanas e, com isso, literalmente empurrou a decisão para o segundo turno.

Terceira colocada nas eleições deste domingo, Marina afirmou que seu programa é o grande vencedor do pleito, mesmo não tendo chegado ao segundo turno.

“Esta jornada nos deixa felizes. Saímos vitoriosos. Defendemos uma ideia vitoriosa e o Brasil escutou nosso chamado”, disse Marina durante ato do Partido Verde em São Paulo, depois de surpreender com o notável desempenho de sua candidatura, com aproximadamente 20 milhões de votos.

No discurso, Marina chamou o PV a iniciar imediatamente uma ampla discussão interna sobre a política de alianças para o segundo turno, mas esclareceu que quem quiser contar com seu capital eleitoral, deverá adaptar sua agenda.

A candidata disse que este “não é o ponto final”, mas o início de um processo, que na opinião dele deve marcar “a nova política com as ideias que defendemos”, porque, segundo ela, “foi por essa plataforma que votaram em nós”.

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