19/10/2010 - 9:56
A reativação econômica mundial pode ser ameaçada por “comportamentos monetários não cooperativos”, afirmou nesta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.
“O laborioso caminho para a estabilidade e a reativação impulsionada pelo comércio poderá se ver seriamente ameaçado por comportamentos monetários não cooperativos”, explicou Lamy durante uma reunião sobre as negociações comerciais com a presença dos 153 membros da OMC em Genebra.
A questão deve ser tratada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), enfatizou Lamy, acrescentando, no entanto, que “a História nos julgará duramente se nossos esforços coletivos para administrar a atual crise econômica se virem contrariados pela busca de benefícios individuais em curto prazo”.
A advertência de Lamy se soma à feita na segunda-feira pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, depois da reunião com os presidentes dos bancos centrais em Xangai.
“O espírito de cooperação deve ser mantido. Sem isso, a recuperação está em perigo”, afirmou Strauss-Kahn ao fim de uma reunião do FMI e diretores dos bancos centrais de todo o mundo, segundo uma versão escrita do discurso divulgada à imprensa.
“Existe hoje em dia o risco de que o núcleo daqueles que conseguiram domar a crise financeira se dissolva em uma cacofonia de vozes discordantes, já que cada vez mais países atuam de forma individual”, completou Strauss-Kahn.
“Este tipo de atitude vai prejudicar todo mundo”, advertiu.
O Banco Mundial (Bird) também advertiu nesta terça-feira sobre a alta das moedas dos países asiáticos, que poderá ameaçar suas exportações e dificultar o crescimento mundial.
Falando à imprensa, Lamy explicou que existe um “risco real de atrito”, reconhecendo que as taxas cambiárias se moviam atualmente de forma mais ativa que há alguns meses.
Segundo Lamy, a OMC tem a possibilidade de “utilizar sua voz e fazer valer de forma prudente aqueles que não se dão conta de que as duas frentes, as moedas e o comércio, estão intimamente vinculados.
Para o diretor-geral da OMC, é urgente então tentar conter esse risco e a melhor forma de fazer é de maneira multilateral.
A uma semana da reunião dos ministros das Finanças do G20 na cidade sul-coreana de Gyenongju e antes do encontro de cúpula do grupo prevista para os dias 11 e 12 de novembro em Seul, aumenta a preocupação sobre as consequências de uma “guerra cambial”, na qual cada país faria todo o possível por desvalorizar sua moeda para dinamizar sua economia em detrimento das demais.
O objetivo da conferência de Xangai era discutir sobre a aplicação de instrumentos por parte dos bancos centrais para garantir a estabilidade financeira.
at/cn