O novo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, e altos comandos militares estão estudando formas de limitar a autoridade do presidente Hosni Mubarak e possivelmente afastá-lo do palácio presidencial do Cairo, informa a edição deste sábado do New York Times.

Citando funcionários de alto escalão dos Estados Unidos e Egito, que preferiram não ter o nome divulgado, o jornal diz que esses planos não visam a tirar imediatamente Mubarak da presidência. Seu objetivo seria permitir a formação de um governo de transição, chefiado por Suleiman que, por sua vez, negociaria com a oposição emendas à Constituição e outras mudanças democráticas.

No Cairo, a agência estatal MENA disse que Mubarak reuniu-se com o novo gabinete, sem dar mais detalhes.

O presidente egípcio, de 82 anos, no poder desde 1981, não demonstrou por enquanto nenhuma intenção de se demitir, apesar das gigantescas manifestações no Cairo e em outras cidades do país desde 25 de janeiro, para exigir sua saída. Mubarak apenas prometeu durante a semana que não se apresentaria à reeleição, no pleito de setembro.

O New York Times diz que entre as ideias em estudo estão a possibilidade de Mubarak transferir-se para sua residência, no balneário de Sharm el Sheikh, ou submeter-se a um check-up médico na Alemanha.

Essas opções representariam para ele uma saída honrosa e não o eliminariam como ator político central, segundo o jornal.

Suleiman e os altos comandos militares estão sendo estimulados a manter conversações detalhadas com a oposição, para uma abertura do sistema político, estabelecendo limites aos mandatos presidenciais e adotando princípios democráticos básicos, antes das eleições de setembro, segundo o New York Times.

“Nada disto pode acontecer se Mubarak permanecer no centro do processo”, diz o jornal, citando um alto dirigente anônimo do governo americano. “Mas isto não quer dizer necessariamente que o presidente deixe o cargo de imediato”, diz a fonte.

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