As taxas dos contratos de DI subiam pela terceira sessão consecutiva nesta quinta-feira (15), com investidores avaliando o empate técnico na eleição presidencial e a aprovação do fim da escala 6×1. O movimento contrastava com a queda dos rendimentos dos títulos públicos americanos.

Às 10h10, o DI para janeiro de 2028 estava em 12,815%, com alta de aproximadamente 11 pontos-base frente ao ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2035 avançava cerca de 14 pontos-base, para 12,75%.

Empate eleitoral mantém política fiscal no radar

A pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O resultado reforçou o cenário de disputa acirrada já identificado pelo levantamento BTG/Nexus.

Parte dos agentes associa uma eventual vitória de Flávio à possibilidade de maior controle das contas públicas. O candidato e seus porta-vozes econômicos, contudo, ainda não haviam detalhado propostas concretas de ajuste.

Nessa leitura do mercado, o equilíbrio entre as candidaturas reduz a percepção de vantagem do cenário fiscal esperado por esses investidores. A cautela contribuía para a alta do dólar e dos juros futuros.

Aprovação da escala 6×1 amplia atenção aos custos

O Senado aprovou na quarta-feira a proposta que encerra a escala 6×1 e reduz a jornada semanal. A medida representa uma vitória do governo Lula em uma das principais bandeiras de sua campanha.

Flávio votou favoravelmente após mudar de posição. Na terça-feira, havia defendido uma compensação governamental às empresas, sem apresentar os possíveis impactos fiscais ou a origem dos recursos.

A aprovação somava-se à pesquisa eleitoral entre os fatores acompanhados pelos investidores.

Dados de atividade ficam em segundo plano

O varejo brasileiro cresceu em agosto, mas ficou abaixo das projeções nas comparações mensal e anual.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o resultado reforça sinais de perda de ritmo da economia.

“Em conjunto, os dados de agosto tornam cada vez mais evidentes o enfraquecimento gradual da atividade econômica”, afirmou. O economista destacou que serviços e indústria apresentaram retração no mês.

Treasuries recuam após indicadores americanos

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos cediam após a divulgação de indicadores econômicos. Os pedidos de auxílio-desemprego ficaram próximos do esperado, enquanto as vendas no varejo superaram as projeções. Os preços ao produtor registraram alta em setembro.

Às 10h10, o Treasury de dez anos rendia 5,064%, queda de 13 pontos-base. A diferença de direção em relação aos DIs brasileiros evidenciava o peso dos fatores domésticos naquela manhã.

Fonte: Reuters.

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