21/07/2001 - 7:00
Tem sangue novo na turma do Mickey Mouse. Dentre os recém ?contratados?, estão alguns campeões de audiência como a família chefiada pelo ?politicamente incorreto? Homer Simpson, os simpáticos Digimon e os destemidos Power Rangers. Estes personagens fazem parte do pacote de atrações da rede de emissoras Fox Family Worldwide, comprada pela Walt Disney Company na última segunda-feira, 23. A transação, uma das mais vultosas do setor, consumiu US$ 5,3 bilhões. Desse montante, US$ 3 bilhões serão pagos à vista. O restante refere-se às dívidas da Fox ? que pertencia ao grupo News Corporation, do magnata Ruppert Murdoch ? assumidas pela companhia do Mickey. O negócio reforçará a musculatura da Disney na área de entretenimento familiar nos Estados Unidos, Europa e América Latina, onde a Fox conta com uma carteira de 118 milhões de assinantes nos sistemas de televisão a cabo e via satélite. Esses ativos serão fundidos em uma nova empresa, batizada de ABC Family. Segundo Michael Eisner, presidente da Disney, a compra valeu cada centavo desembolsado. ?Vamos nos fortalecer na área de conteúdo, considerada estratégica para nossas ambições de crescimento?, garantiu.
A euforia de Eisner não é compartilhada por uma parte do mercado financeiro. A Moody?s e a Standard & Poor?s, duas das mais importantes classificadoras de risco, rebaixaram os papéis da Disney. Outros analistas, contudo, avaliaram o negócio como uma tentativa de enfrentar, em melhores condições, a rival AOL-Time Warner Inc., que lidera o segmento mundial de entretenimento. Alheio às críticas, Eisner faz planos ambiciosos. Ele prevê dobrar, em dois anos, a receita da rede Fox para US$ 300 milhões. A partir de 2004, o executivo espera que o faturamento avance na faixa de 20% ao ano. Segundo o presidente da Disney, tamanha confiança decorre da forte sinergia entre as duas empresas, o que permitirá ampliar bastante a receita publicitária sem alterar os custos operacionais. Mas se a Fox Kids é um negócio tão bom, o que teria levado a News Corporation a desfazer-se da emissora? Simplesmente porque Murdoch precisa engordar o caixa para continuar na disputa pela compra da DirecTV, emissora de televisão via satélite pertencente à Hughes Eletronics (divisão da GM).
No Brasil, de acordo com o gerente de marketing da Disney, Herbert Greco, ainda é cedo para se falar em mudanças. De saída, o que se sabe é que o grande trunfo da companhia é ganhar espaço na grade normal das emissoras de televisão a cabo e via satélite. Explica-se: enquanto o sinal da Fox Kids faz parte de todos os pacotes de programações, o da Disney Channel só pode ser visto se o consumidor pagar até R$ 7,90 por mês. A DirecTV e a TVA ?vendem? o canal como um produto ?premium?. Apesar de não informar números sobre audiência e evolução da carteira de clientes, Greco garante que as duas emissoras estão satisfeitas com a parceria. Segundo ele, o sucesso deve-se, entre outros fatores, ao forte conteúdo de produções feitas no Brasil, como Zapping Zone, Disney Planet, Art Attack e Disney Cruj. Seja como for, pesquisa do Ibope na televisão paga mostra que o ?inimigo? a ser batido pela dupla Fox Kids-Disney atende pelo nome Cartoon Network, líder de audiência dentre os canais infantis.