11/02/2015 - 10:28
Os juros futuros começaram o dia dando sequência à trajetória ascendente das últimas sessões. O clima é aversão ao risco principalmente pelas questões domésticas, em meio ainda à expectativa em relação à reunião de ministros de Finanças da zona do euro que vai decidir sobre a dívida da Grécia nesta quinta-feira, 12, que também embala a alta do dólar no exterior. Há pouco, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados fracos das vendas do varejo, que, embora não sejam determinantes para o rumo das taxas, ajudam a compor o ambiente desfavorável.
Após abrir com aumento de 1,13%, a R$ 2,8630, o dólar à vista no balcão era negociado, às 9h34, na máxima de R$ 2,871 (+1,41%). A escalada do dólar e a delicada situação dos fundamentos domésticos impulsionam os juros futuros em bloco. Às 9h35, o DI para janeiro de 2016 apontava 13,12%, ante 13,00% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2017 indicava 13,05%, de 12,92% no ajuste anterior. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 projetava 12,67%, ante 12,56% no ajuste da véspera.
Os investidores seguem reforçando as compras de dólares e colocando prêmios na curva de juros em razão da deterioração das expectativas sobre a economia nacional, principalmente a situação fiscal do País diante da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatório o pagamento das emendas parlamentares (“Orçamento Impositivo”) ontem na Câmara. Com isso, o Planalto não pode congelar o desembolso de emendas para pressionar o Congresso a votar de acordo com seus interesses. Não cabe veto presidencial e a matéria segue agora para promulgação. A medida traz mais desconfiança em relação à capacidade de o governo cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB este ano.
Por aqui, o IBGE informou nesta quarta-feira, 11, que as vendas do comércio varejista caíram 2,6% em dezembro ante novembro de 2014, na série com ajuste sazonal, resultado abaixo do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de queda de 2,50% a alta de 0,20%, com mediana negativa de 0,70%. É o pior resultado da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em fevereiro de 2000. As vendas do varejo restrito acumularam alta de 2,2% em 2014.
Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 3,7% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. O dado também foi pior do que o esperado, já que as estimativas iam desde redução de 2,50% a expansão de 0,88%, com mediana negativa de 1,00%. As vendas do comércio varejista ampliado acumularam queda de 1,7% em 2014.
No exterior, a cautela antes da reunião de ministros de Finanças da zona do euro sobre a Grécia traz volatilidade aos mercados, com ligeiro viés de baixa nas bolsas e de leve alta para o dólar, já que o encontro que pode discutir possíveis mudanças nos termos da ajuda financeira a Atenas. Ontem, o novo governo grego recebeu um voto de confiança do Parlamento e o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, reforçou o tom duro no discurso sobre as negociações com Bruxelas.