02/05/2011 - 1:05
O Tesouro americano anunciou nesta segunda-feira que começará a cortar a emissão de alguns bônus, ao confirmar que o teto da dívida federal será alcançado no dia 16 de maio; prevendo, no entanto, retardar até 2 de agosto a data na qual o país entrará em quebra, se não for elevado esse limite.
Ante a ausência de um acordo no Congresso que permita ao governo continuar financiando suas atividades, o Tesouro cessará de emitir bônus respaldados pelos Estados e governos locais no dia 6 de maio.
“Uma vez que os Estados Unidos estão muito próximos de alcançar o limite da dívida, o Tesouro deve tomar esta decisão agora”, afirmou o secretário do Tesouro, Tim Geithner, em comunicado.
“Mas isso tem um custo, privará os governos estatais e locais de um importante instrumento para administrar os gastos pendentes” atuais, acrescentou.
O Tesouro vai, assim, suspender a emissão de determinados títulos destinados a aliviar as finanças públicas dos estados federados e das coletividades locais.
O Departamento do Tesouro havia informado, no começo de abril, que o limite máximo da dívida pública submetida à autorização do Congresso (US$ 14,290 trilhões) seria alcançado em 16 de maio e que poderia continuar assumindo as obrigações do Estado americano com base em determinadas medidas excepcionais até o dia 8 de julho.
Mas, considerando receitas fiscais maiores que o previsto, o governo estima, agora, que poderá aguentar até 2 de agosto, não mais além, disse Geithner.
O Tesouro está convencido, no entanto, de que o Congresso terminará por chegar a um acordo que permita elevar o limite da dívida até essa data, disse um de seus dirigentes à imprensa.
É a terceira vez que Geithner escreve aos líderes do Congresso desde o começo do ano, para pressioná-los a elevar o limite da dívida federal.
O chefe do Tesouro advertiu novamente os parlamentares de que o não pagamento da dívida por parte de Washington traria consequências “catastróficas” e causaria “uma crise financeira potencialmente mais grave do que a que o país começa a superar”.
Segundo dados do Tesouro, a dívida pública dos Estados Unidos alcançaria 14,287 trilhões de dólares nesta sexta-feira, dos quais 14,236 trilhões estão submetidos ao limite legal, o que deixaria margem de 58 bilhões ao Estado.
Geithner anunciou que a primeira medida excepcional prevista pelo Tesouro seria “privar os Estados e os governos locais de um instrumento importante na administração de seus gastos relacionados à dívida”.
As finanças das comunidades locais e dos Estados da União foram postas à prova pela crise e muitos deles se impuseram um tratamento de austeridade, que afeta pesadamente os programas sociais de seus orçamentos.
Com maioria na Câmara de Representantes, os republicanos condicionam seu acordo para o incremento do limite da dívida a reduções de gastos adicionais por parte do Estado federal.
Os democratas e o governo de Barack Obama se opõem a estas exigências tal como estão formuladas, afirmando que afetariam os mais fracos e debilitariam a reativação econômica do país.
O Tesouro reduziu para a metade sua estimativa do montante que planeja captar nos mercados no segundo trimestre, a 142 bilhões de dólares, indicando que realizou esta previsão partindo do princípio de que o teto da dívida seria elevado.
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