09/11/2001 - 8:00
Ela é a irmã pouco conhecida da Celera Genomics, empresa que em julho do ano passado ficou famosa por realizar o primeiro seqüenciamento privado do código genético humano. Mas enquanto as ações da empresa do controverso Craig Venter só fazem despencar ? no último ano o prejuízo foi de US$ 500 milhões, ante um mísero faturamento de US$ 80 milhões ? as operações da Applied Biosystem vão de vento em popa. É ela quem produz e fornece os equipamentos de alta tecnologia capazes de seqüenciar genomas ? até o momento o único meio de se ganhar dinheiro nesse setor. Com 80% desse mercado, seu público são laboratórios públicos e privados interessados em desvendar DNAs de humanos e animais. Apenas com a corrida para ver quem conseguia mapear o primeiro DNA humano, a Applied vendeu mil máquinas do modelo 3700, o mais moderno e potente equipamento do gênero: forneceu tanto para a Celera ? com quem forma a holding Applera ? como para o ?concorrente? Projeto Genoma Humano, o consórcio público internacional. O resultado foi um faturamento de US$ 1,4 bilhão no último ano.
Entretanto, o mercado para equipamentos de genoma está beirando a saturação e a empresa começa a se preparar para o futuro. ?O genoma é apenas receita do bolo?, diz Ana Paula Fernandes, diretora da empresa no Brasil. ?Agora é que começa a corrida.? A maratona recebe
o nome de proteoma, que é o estudo da interação
entre as proteínas. Trata-se da nova etapa das
pesquisas que deverá levar, espera-se, ao desenvolvimento de uma medicina personalizada.
A próxima geração de equipamentos para destrinchar o proteoma já está saindo do forno: é o Tof Tof, que chega ao mercado no valor de US$ 750 mil.
Outros mercados. Apesar dos inquestionáveis avanços no campo genético, no Brasil o mercado de genoma se assemelha aos Estados Unidos de dez anos atrás. ?Estamos vivendo ainda um boom de projetos de genoma voltados para o agronegócio?, diz Ana Paula. Há cerca de 20 projetos em andamento ou concluídos no País. Esses projetos representam 65% do faturamento da empresa, que no ano passado foi da ordem de US$ 11 milhões. O restante vem da venda de aparelhos menos sofisticados mas cuja demanda parece inesgotável. São instrumentos para medir o porcentual de organismos transgênicos num determinado alimento, de
identificação humana para institutos de criminalística e até
de testes de paternidade.