EXISTE UMA TAREFA QUE TODO UNIVERdorede1.jpgsitário conhece e não gosta. É a árdua caça por informações em trabalhos acadêmicos, disponíveis em bibliotecas nem sempre organizadas ou até fisicamente distantes. Foi de olho nisso que o empreendedor Rodrigo Zanforlin criou o Neoreader, um portal que dará acesso gratuito a esse tipo de publicação. ?É a democratização do conhecimento?, anuncia. Mais do que isso. É também a oportunidade para desconhecidos revelarem seus trabalhos e suas idéias. Com investimento inicial de R$ 500 mil, o jovem de 24 anos espera, ao mesmo tempo, criar uma nova forma de publicidade online através da ferramenta. Dono da agência interativa Neotix ? que teve um faturamento em torno de R$ 1,5 milhão em 2007 ?, o empreendedor é cauteloso e não entrega suas armas, mas adianta que, seguindo a linha do Google, irá focar em métodos menos agressivos de publicidade. Nada de banners nem tampouco links patrocinados. A idéia de Zanforlin é vincular a publicidade a palavras-chave no texto. ?Quem está lendo, não quer ser incomodado. Cabe ao usuário decidir o momento certo de acessar a propaganda?, explica.

RODRIGO ZANFORLIN: usuários podem interagir com o conteúdo digital do Neoreader e programar a seleção dos textos

 

O projeto Neoreader surgiu há dois anos, de uma constatação feita por Zanforlin e seu sócio, Anderson Mancini. ?Percebemos que existia um buraco no mercado de conteúdo acadêmico digital que devia ser explorado?, conta. O jovem empreendedor diz que ele próprio enfrentou dificuldades na faculdade, em função da escassez de informações direcionadas na rede. ?Na época, tive problemas em encontrar assuntos sobre TV ditgital, por exemplo. Sabia que na Unicamp alguém havia feito um trabalho em cima disso, mas, como não estava disponível na internet, fiquei sem acesso?, relembra. A vontade de quebrar as barreiras desse segmento logo ganhou incentivo de investidores, cujos nomes ele insiste em manter em sigilo. De acordo com Zanforlin, a grande novidade do produto está em sua forma de funcionamento. ?O usuário não precisa ir atrás da informação, ela vem até ele?, conta. Ao definir as áreas de interesse em seu acervo pessoal do Neoreader, o internauta passa a ser avisado quando textos de conteúdo relacionado entrarem no sistema. Uma vez em sua biblioteca personalizada, ele tem total liberdade para interagir com a publicação selecionada, podendo sublinhar as partes importantes e fazer anotações em cima do texto. ?Em vez de distribuir cópias em salas de aula, professores poderão publicar seus trabalhos no Neoreader?, acrescenta. Autores terão seus textos votados e comentados pelos internautas.

39 MILHÕES de brasileiros com acesso à internet poderão consultar as 2 MIL publicações digitais do Neoreader, um projeto que consumiu R$ 500 MIL

O conteúdo do portal é fornecido por universitários, mestres, doutores, faculdades. Qualquer pessoa ou instituição que queira compartilhar seus trabalhos pode enviá-los para o Neoreader. Apesar de priorizar materiais acadêmicos, o espaço é aberto para todos os tipos de publicações, desde teses de mestrado a livros de poesia. Inicialmente cerca de 2 mil publicações estarão disponíveis no sistema, que, por enquanto, só aceita arquivos em PDF. A segunda versão do Neoreader, que será lançada em junho, vai trabalhar também com textos em word, além de oferecer o conteúdo falado. ?A dinâmica de leitura na internet ainda é um problema no Brasil?, aponta. ?Precisamos criar um hábito de leitura digital, mas, para isso, é preciso criar formas mais adequadas.? Daí a importância de o usuário interagir com o texto e de poder contar com o áudio das publicações. Zanforlin acredita que a internet pode vir a tornar obsoleto o uso do papel, principalmente com a chegada das plataformas móveis. O jovem sabe o que diz. Cerca de 123 milhões de brasileiros possuem aparelhos celulares atualmente. ?Imagine o potencial de crescimento que teremos quando a internet móvel estourar?, alerta.