A terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master e levou Daniel Vorcaro de volta à prisão, também determinou o afastamento de dois funcionários do Banco Central (BC). Esta é a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso.

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O ministro do STF determinou o afastamento de Paulo Sérgio Neves de Sousa, que ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP) do BC, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP) do Banco Central.

A decisão de Mendonça determina que os dois usem tornozeleira eletrônica e também proíbe que eles mantenham contato com testemunhas e outros investigados no caso ou que saem da cidade que residem. Os dois também ficam proibidos de frequentar ou mesmo de acessar as dependências do Banco Central.

Segundo a investigação, Souza prestava consultoria informal a Vorcaro, “fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com os dirigentes da autarquia”.

Já Belline atuaria como uma “espécie de empregado/consultor” de Vorcaro, tendo participado de reuniões privadas com o dono do Master fora das dependências do Banco Central, “nas quais foram discutidos temas estratégicos relativos à atuação e ao posicionamento do Banco Master perante a autoridade reguladora”.

Em nota, o Banco Central disse ter identificado indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. Segundo o BC, ambos foram imediatamente afastados cautelarmente do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas. O Banco Central “instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, diz a nota.

O BC decretou no dia 18 de novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master. A quebra do Master provocou até agora a intervenção do Banco Central em oito instituições financeiras. A maior parte delas (5) estava diretamente ligada a Vorcaro. As outras três não faziam parte do mesmo grupo, mas mantinham relações muito próximas e acabaram seguindo o mesmo caminho da liquidação. Veja aqui a lista.

Veja a nota completa do Banco Central

​A respeito da deflagração da 3ª Fase da Operação Compliance Zero, o Banco Central declara sua convicção de que o trabalho desenvolvido pela Polícia Federal representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos.

O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal.

Esclarece o Banco Central que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei.​