Dois homens da Polícia Militar Rodoviária e um morador de rua, ainda  não identificado, morreram nesta segunda-feira, 4, em Santos, no litoral  sul de São Paulo, durante um intenso tiroteio após um assalto a uma  empresa de transporte de valores.

Segundo o capitão  Bonifácio, porta-voz da Polícia Militar na Baixada Santista, o soldado  Leonel Almeida de Carvalho, de 29 anos, foi atingido por um tiro de  fuzil enquanto participava do cerco aos criminosos no km 55 da Rodovia  Anchieta. O outro soldado, Alex de Souza Silva, de 28, também foi  atingido por um tiro de fuzil na operação da Anchieta e passou por uma  cirurgia, mas não resistiu.

Ambos integravam a operação  Safra na Baixada Santista e deram entrada no Hospital Modelo de Cubatão  em estado crítico. Um policial militar foi atingido de raspão na cabeça,  perto da orelha, recebeu atendimento na Santa Casa de Santos e não  corre o risco de morrer.

Os criminosos chegaram à empresa  Prosegur, que fica na altura do número 365 da Rua Silva Jardim, no  bairro do Macuco, pouco antes das 4 horas. Segundo testemunhas, um  caminhão e bombas foram usados para arrombar o portão principal.

Os  bandidos ficaram posicionados em várias esquinas e atiraram várias em  todas as direções para impedir a aproximação dos policiais militares. A  ação foi rápida, e o grupo conseguiu levar alguns malotes.

Um  segundo caminhão, que estava na esquina da Rua Xavier Pinheiro, foi  incendiado, ao lado de um prédio residencial. As chamas atingiram a  fiação elétrica no local. O Corpo de Bombeiros foi acionado para  combater o fogo, mas precisou recuar porque não havia segurança para o  trabalho. Os bombeiros só voltaram ao local do incêndio após o fim do  tiroteio no local.

“Eu e minha esposa estávamos no quarto,  dormindo, quando ouvimos uma forte explosão. Imediatamente, pegamos  nossos filhos (dois meninos, de 3 e 9 anos) e corremos para os fundos da  nossa casa. Eu nem sequer pensei em tentar olhar para rua e saber o que  acontecia”, contou o estivador Douglas dos Santos, de 34 anos, que mora  na rua onde houve o assalto, a poucos metros da empresa. “Eu ainda não  saí para verificar se minha casa foi atingida por algum tiro.”

Na  sequência, o bando fugiu em quatro carros e foi perseguido pela Avenida  Conselheiro Nébias, pelas Ruas Bittencourt e João Pessoa, até a Praça  dos Andradas, em frente à Rodoviária de Santos, na região central da  cidade, onde mais um forte tiroteio foi registrado. Também houve troca  de tiros na Praça Rui Barbosa, em frente à Igreja do Rosário.

“Estava  na rodoviária quando tentaram interceptar a fuga, colocando seus carros  na Rua 15 de Novembro com a Rua São Leopoldo. Quero homenagear os  valentes policiais com uma escopeta, uma metralhadora e demais pistolas  fizeram, sim, tentativa de frente aos marginais”, relatou um morador no  Facebook. “O barulho durou um minuto e foi ininterrupto, não menos de  500 tiros foram disparados. Não pararam os carros, picapes Hilux  blindadas, e foram atrás, disparando sempre que possível.”

A  área onde aconteceu o assalto foi isolada. Policiais do Batalhão de  Choque, de São Paulo, homens do Batalhão de Operações Especiais da  Polícia (Baep), policiais civis da Delegacia Geral de Polícia (Deinter  6), da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos e do grupo  especializado em assalto a bancos, além de peritos e outros agentes,  participam da operação na cidade. As imagens registradas pelas câmeras  do sistema de vigilância da prefeitura de Santos estão em análise para  ajudar na localização e na identificação dos assaltantes.

‘Aterrorizante’

O  bairro onde fica a empresa é prioritariamente residencial, e moradores  relataram na internet que foram acordados com barulhos de explosões,  tiros, sirenes e dos carros em alta velocidade. Em uma página no  Facebook, várias pessoas descrevem a situação. “Uma das balas pegou na  janela da minha vizinha e varou a porta dela. Teve troca de tiro na  porta do meu prédio, começou as 3 e pouco da manhã e se estendeu até  umas 5 horas. Foi aterrorizante”, escreveu a moradora que publicou uma  foto na rede social.

“Moro no Macuco e bem próximo, a uma  quadra do ocorrido. Foi muito tenso, tiros, explosões, carros, casas com  marcas de tiros, eles passaram na minha rua gritando, muitos tiros  mesmo quase uma hora de tiroteio, os policiais com suas pistolas,  enquanto eles de metralhadoras e fuzis”, comentou outro morador. “Eles  chegaram logo em seguida, mas eram interceptados nas ruas antes de  chegar ao local. Os bandidos tomaram vários quarteirões, por isso, tiros  em vários pontos ao mesmo tempo. A polícia fez o que pôde, mas  infelizmente não está equipada pra ocorrências dessas.”

Os  criminosos conseguiram chegar à Anchieta, entraram na contramão da  rodovia e fugiram em direção a São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.  Diversos carros foram abandonados durante a fuga, alguns deles na pista  norte da Anchieta, que ficou interditada durante a manhã.

Carros

Na  entrada de Santos, foram deixados uma picape Nissan preta (placas  FNL3400, de São Paulo), onde um malote com dinheiro foi encontrado,  outra picape Nissan prata (placas FEU1110), uma Tucson preta (placas  EMC6432, de São Paulo) e uma Santa Fé prata (de Santos, com placa ainda  não confirmada).

Em nota, a Prosegur informou que nenhum  funcionário da empresa foi ferido durante o assalto e que está à  disposição das autoridades, colaborando para o andamento das  investigações. A companhia destacou que grande parte do valor roubado já  foi recuperado, com expectativa de total recuperação.

Na  mesma nota, a empresa ressaltou que seu sistema de segurança funcionou  plenamente e dificultou a ação dos criminosos. “O gerador de neblina,  tecnologia da empresa instalada em suas bases operacionais, foi acionado  rapidamente e impediu que a ação de hoje em Santos fosse totalmente  bem-sucedida. O sistema gera uma nuvem de vapor com aspecto de fumaça  densa e reduz a visibilidade a menos de 30 centímetros, o que dificultou  a ação dos assaltantes.”