O dólar à vista abriu em alta ante o real no balcão, na contramão do sinal negativo observado pela contrato futuro da moeda norte-americana, em meio a ajustes e ao comportamento das moedas nos mercados internacionais. As atenções dos mercados domésticos seguem concentradas na reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff para o segundo mandato do governo reeleito. A notícia, posteriormente negada, de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também teria entregue uma carta colocando o cargo à disposição da presidente realimenta especulações nas mesas de operações em torno da definição da próxima equipe econômica, o que relega o noticiário vindo do exterior. No âmbito da política fiscal brasileira, destaque ainda para o pedido de urgência pelo governo federal para o projeto de lei enviado ao Congresso que muda a meta fiscal deste ano. Lá fora, o foco está concentrado no discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, à tarde.

Por volta das 9h30, no mercado de balcão, o dólar à vista subia 0,23%, cotado a R$ 2,5660, depois de abrir em alta de 0,35%, cotado a R$ 2,5690, e de bater mínima em R$ 2,5630 (+0,12%). No mercado futuro, o contrato da moeda dos EUA para dezembro caía 0,12%, a R$ 2,5770.

Ao contrário do gesto de mais de dez ministros que colocaram o cargo à disposição de Dilma, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não entregou qualquer documento com esse objetivo. Segundo a assessoria de imprensa da autoridade monetária, “não há informação sobre qualquer carta”. Na quarta-feira, 12, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, informou que 15 ministros, inclusive ele mesmo, já haviam apresentado carta colocando o cargo à disposição da presidente reeleita. Na avaliação de Mercadante, o gesto é meramente “diplomático” e de “agradecimento” pela participação no atual governo.

Além disso, a convocação de última hora da presidente Dilma para que Tombini fosse ao encontro do G-20 na Austrália, neste fim de semana, continua instigando desconfiança no mercado doméstico quanto à continuidade dele na próxima equipe econômica.

Já na esfera fiscal, o governo pediu formalmente hoje um regime de urgência para o projeto de lei que muda a meta de superávit primário, depois de ter esquecido de enviar tal pressa junto com o projeto de lei que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014 (LDO) na tramitação da matéria. Essa solicitação só foi feita nesta quinta-feira, dois dias depois do envio do texto que permitirá ao governo abandonar a meta de superávit primário deste ano.

Enquanto a presidente segue a caminho de Brisbane, na Austrália, onde acontece a reunião de cúpula do G-20, Tombini já participa hoje de compromissos na cidade australiana relacionados ao evento. Segundo um dos anfitriões do evento, o secretário do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, o encontro que reúne as 20 maiores economias do mundo terá como prioridade o crescimento e a criação de empregos, com o objetivo de entregar resultados ao final da reunião.

À espera do início do evento na Austrália e de novidades no Brasil, os investidores aguardam também os números semanais de auxílio-desemprego (11h30) e dos estoques de petróleo (14h00) nos Estados Unidos, além do relatório de emprego JOLTS em setembro (13h00). Mas o foco deve ficar concentrado no discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, às 15h35.

Pela manhã, o dirigente da distrital de Nova York, William Dudley, disse que ainda não chegou a hora de o BC dos EUA começar a elevar as taxas de juros dos níveis atuais próximos de zero. Para ele, tal movimento deve ocorrer provavelmente em algum momento de 2015, o que pode trazer volatilidade aos mercados globais.

Mais cedo, saíram alguns dados de atividade na China, que indicaram que a desaceleração do país está discreta e gradual – e não como um pouso abrupto. Em outubro ante outubro de 2013, a produção industrial chinesa subiu 7,7%, ante previsão de 8,0%; e as vendas no varejo do país aumentaram 11,5%, ante estimativas de +11,6%. Já os investimentos em ativos fixos urbanos avançaram 15,9% de janeiro a outubro, perto da previsão +16%.