A abertura do pregão doméstico nesta quinta-feira, 02, foi agitada, com os negócios reagindo a uma série de divulgações nesta manhã, mas o fator político deve manter o tom de volatilidade ao longo do dia. Enquanto os negócios locais ainda digeriam a decisão do Banco Central Europeu (BCE), de manter o nível das suas principais taxas de referência, o que desloca as atenções para a entrevista coletiva do comandante da instituição, Mario Draghi, logo mais; os investidores já recebiam os números da produção industrial brasileira, que manteve em agosto o sinal positivo visto em julho, quando interrompeu quatro meses seguidos de resultados negativos. Como resultado, o dólar apresenta um ligeiro viés de baixa ante o real.

Às 9h15, no mercado de balcão, o dólar à vista era cotado a R$ 2,4750, em baixa de 0,36%. No mercado futuro, o contrato do dólar para outubro cedia 0,26%, valendo R$ 2,4955. Entre as divisas emergentes, o dólar caía 0,45% ante o xará australiano; cedia 0,47% ante a lira turca e recuava 0,41% ante o rand-sul africano.

Os mercados no exterior são influenciados pelos eventos de política monetária na zona do euro. Mais cedo, o BCE manteve a taxa básica de juros em 0,05%, bem como a taxa para depósitos bancários em -0,20%, além da taxa de juros de empréstimos marginal, em 0,30%. Em, reação, o euro reduziu levemente os ganhos e era cotado a US$ 1,2633, de US$ 1,2624 no fim da tarde de quarta-feira, 01. Já as principais bolsas europeias não exibem uma direção única.

Embora boa parte dos investidores avaliasse que era muito cedo para a autoridade monetária da zona do euro lançar mão de novas ações, após os anúncios feitos no encontro anterior, espera-se que o BCE ainda revele detalhes sobre o novo programa de recompra de ativos. Os dados fracos sobre a atividade e a inflação na zona do euro, porém, deixavam dúvidas quanto a adoção de novas medidas. Nesta manhã, o índice de preços ao produtor (PPI) na região da moeda única europeia caiu mais que o esperado em agosto, confirmando o nível baixo dos preços, o que ameaça a frágil recuperação do bloco.

Por isso, as atenções se voltam para logo mais, às 9h30, quando tem início a entrevista coletiva do presidente da autoridade monetária, Mario Draghi. Também neste horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos.

Também mais cedo, a consultoria Challenger, Gray & Christmas afirmou que os cortes de vagas planejados pelos empregadores nos EUA caíram 23,8% em setembro ante agosto, para o menor nível desde junho de 2000. À espera de novos números sobre o mercado de trabalho norte-americano, na véspera da divulgação do relatório oficial de emprego no país, o chamado payroll, os índices futuros das bolsas de Nova York passaram a sustentar um ligeiro viés de alta.

Há pouco, o IBGE informou que a produção nacional da indústria subiu 0,7% em agosto ante julho, ficando no teto do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam desde queda de 0,70% a alta de 0,70% (mediana de +0,15). Em base anual, a produção da indústria caiu 5,4% em agosto, com uma retração ligeiramente menor que a mediana das previsões, de -5,74%. Ainda segundo o instituto, a indústria acumula queda de 3,1% no ano até agosto.

É válido citar que, apesar da agenda carregada do dia, as atenções domésticas se voltam para eventos relacionados às eleições, nesta reta final da votação no domingo. Mas os destaques ficam reservados apenas para o fim do dia, quando acontece o último debate na TV entre os presidenciáveis e novas pesquisas eleitorais devem ser conhecidas – embora ainda não haja um horário definido para as divulgações das sondagens Ibope e Datafolha.