O dólar começou a sessão desta quarta-feira, 08, em queda firme, na expectativa pela confirmação do apoio de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência derrotada no primeiro turno da eleição, ao tucano Aécio Neves no segundo turno. Às 9h23, o dólar à vista operava em baixa de 0,57%, a R$ 2,385. O quadro político ganhou ainda mais atenção dos investidores após a divulgação do IPCA nesta manhã. O índice de setembro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acelerou de 0,25% para 0,57% entre agosto e setembro, acima do teto das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam de 0,42% a 0,50%. No ano, o IPCA acumulou uma alta de 4,61%. Em 12 meses, a taxa ficou em 6,75%, acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%.

No câmbio, prevalece a leitura de que um IPCA mais pressionado favorece a candidatura da oposição no segundo turno da eleição. “No mês e no acumulado em 12 meses (6,75%, acima do topo da meta), o resultado retrata o mix de políticas inadequadas do governo. A oposição (na campanha eleitoral) vai usar como argumento”, afirmou Otávio Vieira, sócio da Fides Asset Management.

No decorrer da sessão, o dólar tende a continuar influenciando os negócios com juros, com os investidores monitorando o noticiário político e no aguardo da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, às 15 horas. O documento pode trazer pistas sobre os próximos movimentos da autoridade monetária dos EUA quanto à mudança na taxa dos Fed Funds a partir das avaliações do quadro econômico.

Com relação à eleição, uma oficialização da posição de Marina quanto a um eventual apoio a Aécio é esperada ansiosamente pelo mercado. Apesar da cúpula da Rede Sustentabilidade já ter decidido que esse seria melhor caminho, dado o cenário atual, a base da Rede, em grande parte formada por pessoas mais jovens, ainda resiste em se aliar ao PSDB. Em reunião da Executiva Nacional ontem à noite, o único consenso a que conseguiram chegar foi que não há como apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Já a executiva do PSB reúne-se às 14 horas em Brasília. O partido está dividido e uma das hipóteses da decisão que deve ser anunciada hoje pode ser a de liberar o apoio de seus filiados no segundo turno, assumindo posição de neutralidade na disputa.