26/10/2026 - 10:56
O dólar pode subir cerca de 12% frente ao real e se aproximar de R$ 5,60 após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, aponta relatório do Goldman Sachs divulgado nesta segunda-feira (26). A estimativa considera o movimento dos contratos futuros negociados na CME, nos Estados Unidos.
Se confirmado no mercado local, o ajuste seria muito superior às variações observadas imediatamente após eleições presidenciais recentes no Brasil, na avaliação do banco.
O Goldman associa a reação à surpresa com o resultado eleitoral e à percepção de maior risco fiscal, elevando o prêmio exigido pelos investidores para manter exposição aos ativos brasileiros.
Dólar a R$ 5,60 ficaria entre cenários de risco fiscal
Em exercícios anteriores, o Goldman estimou que uma cotação próxima de R$ 5,40 seria compatível com um prêmio fiscal semelhante ao registrado em setembro de 2024.
Já o dólar a R$ 5,80 corresponderia a uma percepção de risco mais elevada, comparável à observada em dezembro daquele ano. Esses valores representam referências de cenários distintos para a condução das contas públicas.
O patamar de R$ 5,60 indicado pelos futuros ficaria entre essas referências. Para a instituição, as medidas recentes de expansão fiscal reforçam a perspectiva de incorporação de um prêmio maior ao real e a outros ativos locais.
Futuros indicam reação acima da observada em outras eleições
A intensidade da alta indicada na CME concentra a atenção do Goldman. Uma valorização próxima de 12% da moeda americana representaria um ajuste excepcional em comparação com as reações imediatas de eleições anteriores.
O relatório considera que eventuais acionamentos do circuit breaker na B3, diante de quedas intensas das ações, podem influenciar a dinâmica de volatilidade durante a sessão.
Nesse ambiente, a formação dos preços no câmbio permaneceria sujeita a oscilações enquanto os investidores revisam suas posições.
Equipe econômica e anúncios fiscais orientam próximos passos
Para o Goldman, a reação inicial não determina toda a trajetória do dólar. O comportamento do câmbio nos próximos dias dependerá dos sinais emitidos pelo governo reeleito.
A definição da equipe econômica e os primeiros anúncios fiscais devem orientar a revisão da percepção de risco.
O banco cita eleições anteriores, incluindo a de 2002, como exemplos de que a resposta inicial dos mercados pode mudar conforme surgem indicações sobre a política econômica. Os próximos anúncios do governo serão determinantes para essa avaliação.
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