O dólar avançou 1,17% na quinta-feira (15), encerrando a R$ 5,087, na terceira sessão consecutiva de valorização. A recuperação ocorreu após a queda que levou a moeda abaixo de R$ 5 na sequência do primeiro turno presidencial.

Para Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, a continuidade da valorização do real dependerá da permanência do capital estrangeiro e das expectativas para a economia brasileira. Uma reversão desses fluxos pode fortalecer novamente a moeda americana.

Capital estrangeiro e risco fiscal condicionam o dólar

Perretti associa a queda inicial do dólar à entrada de recursos internacionais e à melhora das perspectivas econômicas após o primeiro turno.

“Se eles permanecerem na Bolsa, continuarem entrantes, isso deve favorecer um dólar mais barato”, afirmou, em referência aos investidores estrangeiros.

O economista considera que a realização de lucros e a retirada de capital podem alterar esse quadro. A proximidade do segundo turno mantém a política fiscal entre os fatores observados pelos investidores.

“Se a gente começar a incorrer num risco fiscal, os investidores podem recorrer a uma moeda de proteção, que no caso seria o dólar”, disse.

Essa deterioração não representa seu cenário-base. A avaliação apresentada é de que a continuidade do ingresso de recursos ainda pode favorecer o real, desde que as expectativas permaneçam positivas.

Minidólar tem resistência na região de 5.081 a 5.085 pontos

Na análise técnica apresentada, Perretti identifica a faixa de 5.081 a 5.085 pontos como uma resistência relevante para o minidólar futuro.

A região reunia referências anteriores de suporte. Após a queda, passou a representar uma área de dificuldade para a recuperação.

“O que era uma região de suportes se tornou uma região de resistência”, explicou.

Uma superação dessa faixa poderia abrir espaço para recuperação mais ampla. Na direção contrária, o analista aponta suporte próximo de 4.995,5 pontos, seguido pela região de 4.978 a 4.969 pontos.

Essas referências pertencem a uma série contínua e ajustada, que incorpora efeitos de rolagem e juros. Não devem ser interpretadas como valores equivalentes do dólar à vista.

Dólar a R$ 4,50 é hipótese, não previsão confirmada

Ao discutir uma eventual queda da moeda para R$ 4,50, Perretti destacou a possibilidade de pressão sobre exportadoras.

Uma cotação menor reduz a conversão, em reais, das receitas denominadas em dólar. O efeito final depende dos custos e do endividamento de cada empresa, além de sua exposição cambial.

“Se o dólar vier para quatro e cinquenta, eu vejo que as empresas exportadoras, por um todo, podem acabar sentindo um pouco mais, principalmente ali na parte dos seus resultados”, afirmou.

O patamar foi utilizado como cenário hipotético. O material não apresenta prazo ou probabilidade para que seja alcançado.

Vale e Petrobras dependem também das commodities

A análise inclui Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) entre as companhias sensíveis ao câmbio. Suzano (SUZB3) e Embraer (EMBJ3) aparecem no levantamento sobre o desempenho das ações após o primeiro turno.

A variação do dólar, contudo, não explica isoladamente seus resultados ou suas cotações.

No caso da Petrobras, preços elevados do petróleo podem compensar parte do efeito de um real mais forte. Para a Vale, a trajetória do minério de ferro precisa ser considerada.

“Enquanto o petróleo permanecer forte, num patamar elevado, as empresas petrolíferas podem se beneficiar, mesmo com o dólar ainda em queda”, disse Perretti.

A avaliação das exportadoras depende, portanto, da combinação entre câmbio e preços dos produtos vendidos, observadas as condições financeiras e operacionais de cada companhia.

Leia mais

Dia de Sorte 1323: aposta de São Paulo leva R$ 462 mil; veja resultado

Super Sete 910 acumula para R$ 11,3 milhões; confira números e prêmios

Dupla Sena 3021 sorteia R$ 8,3 milhões; veja os resultados anteriores

CAOA Chery Tiggo 9 chega com sete lugares, tração integral e preços a partir de R$ 249.990