O dólar à vista tinha leve alta ante o real nesta sexta-feira, 28, oscilando em margens estreitas, à medida que os investidores reagiam a dados de inflação dos Estados Unidos que vieram amplamente em linha com o esperado, com os investidores também monitorando incertezas comerciais e geopolíticas no exterior e cenário político local.

Por volta de 13h53, o dólar à vista subia 0,49%, a R$ 5,87 na venda. Na máxia do dia até o momento chegou a R$ 5,89. Veja cotações.

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O governo norte-americano informou nesta manhã que seu índice PCE — o indicador de inflação preferido do Federal Reserve — subiu 0,3% em janeiro na base mensal, mesma alta registrada em dezembro. Em 12 meses, o ganho foi de 2,5%, abaixo do avanço de 2,6% no mês anterior.

Em relação ao núcleo do PCE, houve leve aceleração na alta mensal em janeiro, a 0,3%, de um ganho de 0,2% em dezembro, enquanto a taxa anual desacelerou para um avanço de 2,6% no mês, de uma alta de 2,9% anteriormente.

Os números vieram exatamente como projetado por analistas em pesquisa da Reuters, provocando baixa volatilidade nas negociações dos mercados de câmbio globais, incluindo no Brasil.

O principal evento econômico do dia manteve as apostas de operadores sobre a trajetória da taxa de juros do Fed praticamente inalteradas, com manutenção da expectativa por pelo menos dois cortes de juros neste ano, com o primeiro movimento possivelmente em junho.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,07%, a 107,280.

Os números desta sexta vieram na contramão dos dados de inflação ao consumidor mais fortes do que o esperado neste mês, que haviam alertado os mercados sobre as pressões inflacionárias nos EUA.

Mas alguns membros do Fed, incluindo o chair Jerome Powell, já tinham minimizado esses números, reiterando a visão de que o índice PCE é um medidor mais confiável da inflação.

Os investidores seguem de olho em notícias sobre os planos tarifários do presidente norte-americano Donald Trump, que disse na véspera que as tarifas de 25% sobre Canadá e México e uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses entrarão em vigor em 4 de março, afastando expectativas de um adiamento para as medidas.

Economistas apontam que as políticas tarifárias de Trump têm potencial inflacionário, o que seria um outro argumento para o banco central dos EUA manter a taxa de juros em patamar elevado.

“O anúncio trouxe um pouco mais de pessimismo e aversão ao risco. Os investidores continuam apostando que, no final das contas, alguma coisa deve ser negociada entre os países de forma a aliviar ou até mesmo cancelar as tarifas de importação”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Na cena geopolítica, o destaque será o encontro desta sexta entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em que podem assinar um acordo para permitir a participação norte-americana no setor mineral ucraniano.

Ao mesmo tempo que discute com autoridades russas uma resolução para o conflito de três anos na Ucrânia, o governo Trump ainda busca uma compensação financeira pelos bilhões de dólares fornecidos a Kiev em armamentos e ajuda humanitária durante a guerra.

Cena doméstica

O dólar acentuou alta nesta sexta em meio à escolha do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para ser a ministra de Relações Institucionais (SRI) no lugar de Alexandre Padilha, anunciado como próximo ministro da Saúde.

“Parece piada”, pontua o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. “Ela é muito mal vista até mesmo por parlamentares, não só pelo mercado. O temor é que ajudará a piorar a questão de articulação do governo que já não se tem”, diz Laatus.

*Com informações da Agência Estado