(Reuters) – Em uma sessão de oscilações limitadas, o dólar à vista fechou a segunda-feira em baixa ante o real, com investidores reagindo ao ambiente mais positivo no exterior, após o banco UBS ter anunciado a compra do Credit Suisse, e à espera do novo arcabouço fiscal e das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

O dólar recuou durante praticamente toda a sessão, mas profissionais do mercado afirmaram que a expectativa pelos eventos da semana –que podem definir o rumo da moeda norte-americana no curto prazo– engessou os negócios.

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O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,2429 reais na venda, em baixa de 0,54%.

Às 17:14 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,04%, a 5,2448 reais na venda.

Pela manhã, o mercado digeria o anúncio de compra do Credit Suisse pelo UBS no fim de semana, que trouxe a sensação de que, após os Estados Unidos, a Suíça também agiu rápido para evitar o espalhamento da crise bancária.

“O mercado está, neste início de semana, relativamente tranquilo com a questão do setor financeiro, primeiro pela atuação do Federal Reserve e, agora, pelo UBS juntamente com o banco central suíço, que estancaram a situação no Credit Suisse”, comentou mais cedo Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de Derivativos da Financeiros da Commcor DTVM.

No exterior, o dólar também cedia ante uma cesta de moedas e em relação a divisas de países exportadores de commodities, com investidores em busca de ativos mais arriscados.

Às 17:14 (de Brasília), o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas– caía 0,48%, a 103,300.

De acordo com o diretor da Correparti Corretora, da Jefferson Rugik, o dia foi de “pausa” da crise bancária.

“Pesou para a mudança do sentimento a confirmação da venda do Credit Suisse para o UBS. Mas o mercado de câmbio ficou em compasso de espera para a divulgação do arcabouço fiscal pelo governo”, comentou Rugik, ao justificar as oscilações limitadas do dólar ante o real nesta segunda-feira.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que membros do governo façam mais reuniões com os presidentes da Câmara e do Senado, com líderes partidários e economistas antes da apresentação oficial do arcabouço fiscal.

O próprio Haddad se reuniu nesta segunda-feira com os líderes do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), e no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA). Além disso, o ministro foi até a residência oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O governo busca apoio para a proposta, vista como fundamental para aliviar as pressões nos mercados. Ao final dos encontros, Haddad disse que o arcabouço está na fase final, e o anúncio depende apenas de ajustes pontuais.

Pela manhã, o BC venceu 9.000 dos 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de maio.

 

(Por Fabrício de Castro)

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