O dólar começou a semana em alta ante o real, acompanhando uma tendência global de ganhos da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes e exportadores de commodities.

O ambiente também era de baixíssima liquidez em função do feriado do Dia de Martin Luther King nos EUA. Na tarde desta segunda-feira, 19,, porém, o cenário mudou. A trajetória de valorização foi acentuada na última meia hora dos negócios, quando o dólar foi às máximas e a Bovespa às mínimas, em meio a relatos de que Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo estariam enfrentando um apagão.

Em meio aos receios de que possa haver racionamento de energia, os investidores correram para a segurança do dólar, que terminou o dia em R$ 2,6500 no balcão, em alta de 1,11%. Na máxima da sessão, marcou R$ 2,6540 (+1,26%). Na mínima, durante uma queda pontual pela manhã, chegou a R$ 2,6180 (-0,11%). Na BM&FBovespa, o dólar para fevereiro, que encerra apenas às 18h, era cotado em R$ 2,6635, em alta de 1,24%.

Até por volta das 15h, o viés para o dólar era de alta no Brasil, com a moeda acompanhando o que era visto no exterior. Mas quando começaram a circular pelas mesas de operação relatos de que algumas regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná estavam sem luz, o dólar passou a renovar máximas sequenciais.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também determinou, naquele momento, que as distribuidoras reduzissem a oferta de energia nas regiões Sudeste e Sul.

“O mercado fica com medo de racionamento e corre para o dólar”, resumiu João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, ao justificar as máximas registradas no balcão na reta final dos negócios.

Esta corrida de fim de sessão, aliás, pode ter melhorado o giro. No mercado à vista, perto das 16h30, ele já somava US$ 1,352 bilhão, sendo US$ 1,140 bilhão em D+2. No segmento futuro, a moeda para fevereiro já havia movimentado cerca de US$ 6 bilhões.

Nos leilões de swap cambial realizados mais cedo, o Banco Central vendeu os 2 mil contratos ofertados na operação diária, num total de US$ 98,4 milhões, além dos 10 mil contratos na operação de rolagem de títulos que vencem em 2 de fevereiro de 2015, no valor total de US$ 489,0 milhões.