Depois de ter encerrado a sessão da véspera em baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta firme no Brasil, superior a 1%, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa norte-americana em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Já o Ibovespa fechou em queda de mais de 2%, com o conflito no Oriente Médio voltando a pressionar mercados acionários no mundo, enquanto Braskem resistiu ao viés negativo e disparou mais de 15% na bolsa paulista.

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O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$ 5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%. +Veja cotações

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,64%, a 180.465,66 pontos, tendo marcado 179.895,37 na mínima e 185.366,35 na máxima do dia.

O volume financeiro no pregão somava R$ 29,5 bilhões antes dos ajustes finais.

Às 17h02, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,01% na B3, aos R$5,3230.

Em meio ao conflito no Irã, o petróleo Brent subiu US$ 4,01, ou 4,93%, chegando a US$ 85,41 por barril, em uma quinta sessão de ganhos. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$ 6,35, ou 8,51%, a US$ 81,01, seu maior valor desde julho de 2024.

“A intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou a busca proteção, impulsionando a moeda americana, movimento que também se refletiu na valorização global do dólar, com o índice DXY em alta. O receio da transmissão de um ‘choque geopolítico’ para um ‘macroeconômico’ com maiores implicações na inflação e crescimento mundial vem sendo incorporado nas expectativas de mercado, refletindo diretamente no comportamento dos ativos de risco”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

O dólar no dia

Na quarta-feira, em uma sessão de alívio para os ativos de risco, o dólar à vista havia recuado, mas nesta quinta-feira a moeda voltou a subir ante quase todas as demais divisas, em meio à guerra no Oriente Médio.

Mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques a Teerã. Em outra frente, mais navios-tanque foram atacados nas águas do Golfo pelo Irã, e drones iranianos entraram no Azerbaijão.

Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aceitará a assistência de qualquer país no conflito contra o Irã — incluindo a Ucrânia, hoje em guerra com a Rússia.

Sem uma perspectiva para o fim da guerra, o dólar subiu ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real.

O petróleo também voltou a registrar ganhos fortes, com o Brent negociado em Londres sendo cotado acima dos US$85 o barril.

“Vimos ontem uma despressurizada na moeda norte-americana, e eu até achei que iria cair mais, mas não adianta — quando tem cenário extremo de guerra, o dólar sobe”, comentou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

Após marcar a cotação mínima de R$5,2280 (+0,18%) às 12h04, o dólar à vista acelerou para a máxima de R$5,2944 (+1,46%) às 16h55, já perto do fechamento, em meio ao avanço firme também no exterior.

“No momento, com base nas notícias conhecidas, não é possível prever quanto tempo este conflito irá durar e/ou se vai escalar. Assim, R$5,20 ou menos, com base nas recomendações passadas, é nível interessante para termos proteção, principalmente para aqueles que estão mais expostos, menos comprados”, disse em uma análise enviada a clientes pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em recomendação para importadores.

“Ainda é cedo para afirmar que o pior já passou… Dólar acima de R$5,30-R$5,34 tende a estressar, é preciso ter esta ponderação”, acrescentou, na recomendação para exportadores. No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.

Durante evento do Goldman Sachs, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a instituição tem feito rolagens menores de swaps que estão para vencer para não atrapalhar a formação de preços no mercado de câmbio.

“Percebemos ano passado que parecia que estávamos atrapalhando ao fazer a rolagem de swaps”, disse.

No vencimento mais recente, de 2 de março, dos 750.000 contratos que estavam para vencer, o BC rolou apenas 725.000 contratos. Os 25.000 contratos da diferença, equivalentes a US$1,25 bilhão, venceram normalmente.

No exterior, às 17h07 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,49%, a 99,286.

O dia do Ibovespa

Mais navios-tanque foram atacados no Golfo Pérsico, com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã se agravando. Drones iranianos entraram no Azerbaijão e uma moção para interromper os ataques dos EUA foi bloqueada em Washington

Notícias de que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques do último sábado, emergiu como favorito para sucedê-lo também alimentaram a percepção de que Teerã não está prestes a ceder à pressão.

De acordo com a gestora de renda variável Isabel Lemos, da Fator Gestão, o conflito adicionou um sentimento de insegurança, que tem motivado posições mais defensivas.

“O investidor se sente mais inseguro e acaba vendendo o que tem gordura”, afirmou, citando o rali recente das ações brasileiras, com o Ibovespa acumulando no ano até a última sexta-feira, antes do início da guerra, uma alta de mais de 17%.

“No curtíssimo prazo, a bolsa está em cenário de incerteza e isso está fazendo alguns agentes venderem um pouco.”

Em Wall Street, o clima negativo também prevaleceu, com o S&P 500 encerrando o dia com declínio de 0,56%.

 

DESTAQUES

– VALE ON caiu 3,33%, sucumbindo à aversão a risco, mesmo com alta dos futuros do minério de ferro na China, após anúncio por Pequim de uma série de medidas econômicas.

– ITAÚ UNIBANCO PN recuou 3,33%, com bancos também contaminados pelo viés mais vendedor na bolsa. BRADESCO PN cedeu 3,22%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 3,62% e SANTANDER BRASIL UNIT caiu 3,26%, enquanto BTG PACTUAL UNIT fechou em baixa de 4,58%.

– PETROBRAS PN subiu apenas 0,47%, sofrendo com a correção na B3, mesmo com nova alta relevante do petróleo no exterior. A estatal reporta balanço de 2025 nesta quinta-feira. No setor, PRIO ON avançou 2,59%, PETRORECONCAVO ON valorizou-se 2,8% e BRAVA ON ganhou 0,27%.

– BRASKEM PNA disparou 16,94%, no terceiro pregão seguido de alta. Na véspera, os papéis já tinham disparado 13,72%. De acordo com uma fonte de mercado, a ação acompanhou neste pregão o movimento mais positivo do setor no exterior.

– LOCALIZA ON recuou 6,87%, em dia de alta nas taxas dos contratos de DI, mas também relatório de analistas do UBS BB cortando a recomendação para as ações da companhia para neutra, embora o preço-alvo tenha subido de R$50 para R$55.

– EMBRAER ON caiu 5,71%, também pesando no Ibovespa, no último dia antes da divulgação do balanço do último trimestre do ano passado, na sexta-feira, antes da abertura do mercado.