O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, terminando o dia acima dos 186 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado pelas blue chips Itaú Unibanco, Vale e Petrobras, e endossado por Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,8%, a 186.241,15 pontos, novo recorde para fechamento, tendo marcado 186.460,08 pontos na máxima e 182.950,20 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$27,83 bilhões.

Dados da B3 continuam mostrando fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras, com saldo positivo em R$2,9 bilhões em fevereiro até o dia 5, após entrada líquida de R$26,3 bilhões em janeiro. Em 2025, o saldo somou quase R$27,66 bilhões.

“Esses ingressos têm sido um dos principais vetores do ‘re-rating’ do mercado e da melhora de desempenho”, afirmou a responsável pela análise das empresas brasileiras cobertas pelo Santander, Aline de Souza Cardoso, em relatório a clientes.

Com esse resultado, o principal índice da B3 acumula 10 renovações de recorde histórico apenas em 2026, em um intervalo inferior a um mês e meio Foto: Elos Ayta

Já o dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$ 5,1886 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$ 5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%.

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No exterior, o dólar sustentou baixas firmes ante o iene, após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Além disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores à espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos.

O dia também foi de queda firme para o dólar ante moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendência.

“O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

“Além disso, o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.”

Em paralelo, o Tesouro anunciou pela manhã a emissão de títulos em dólares no mercado internacional, com um novo benchmark de dez anos, para 2036. Além disso, foi realizada captação por meio de títulos de 30 anos Global 2056.

Conforme o serviço de informações financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhões, com US$3,5 bilhões pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhão com o título para 2056.

Como ocorre tradicionalmente, a expectativa é de que essa nova emissão do Tesouro abra a janela para captações internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

“E contra o fluxo não há argumentos”, disse Rugik, que não descarta a possibilidade de um dólar ainda mais fraco no curto prazo, mais próximo dos R$5,00.

Pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante evento em São Paulo que a palavra-chave deste momento do ciclo de política monetária é “calibragem”, classificando o termo como “essencial”. Ao mesmo tempo, defendeu que a previsão de corte de juros não representa uma “volta da vitória”.

“A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros)… Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou.

No fim de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de cortá-la a partir de março. No mercado, a principal dúvida é sobre o tamanho do primeiro corte: 25 ou 50 pontos-base.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

No boletim Focus divulgado no início do dia, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2025 seguiu em R$ 5,50.

 

Destaques do Ibovespa

– ITAÚ UNIBANCO PN avançou 3,34%, em dia de desempenho robusto de bancos do Ibovespa, com SANTANDER BRASIL UNIT fechando em alta de 5,98% e BRADESCO PN apurando acréscimo de 1,46%. BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,01%, com agentes financeiros no aguardo do balanço do quarto trimestre no final da quarta-feira.

– VALE ON subiu 1,96%, recuperando o sinal positivo após duas quedas seguidas, em dia de desempenho misto dos futuros do minério de ferro na Ásia, com declínio do contrato mais negociado em Dalian, mas alta em Cingapura. A mineradora divulga na próxima quinta-feira, após o fechamento do mercado, seu balanço do quarto trimestre e de 2025.

– BTG PACTUAL UNIT caiu 0,12%, mesmo após lucro de R$4,6 bilhões no quarto trimestre, resultado recorde para o período, mas em linha com as previsões. O banco sinalizou uma rentabilidade acima de 25% nos próximos anos. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 2,87%. As units vinham de duas altas seguidas. No ano, ainda sobem quase 14,5%.

– PETROBRAS PN subiu 1,83%, em dia de alta dos preços do petróleo no exterior, com o barril do Brent fechando com acréscimo de 1,45%. PETROBRAS ON fechou em alta de 2,03%.

– HAPVIDA ON recuou 2,72%, renovando suas mínimas históricas. Números da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados por analistas mostraram na semana passada queda no número de clientes dos planos de saúde da companhia em dezembro na base mensal. Em 2026, os papéis já acumulam um declínio de 22,27%, mesmo após o tombo de 56% no ano passado.