O dólar interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de altas e fechou nesta quinta-feira, 15, em baixa ante o real, com agentes do mercado citando um fluxo de entrada de recursos no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante as divisas fortes. Já o Ibovespa renovou máximas históricas, testando os 166 mil pontos pela primeira vez, mas perdendo o fôlego no final do dia.

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O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,61%, aos R$ 5,3684. No ano, a divisa acumula queda de 2,20%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou com acréscimo de 0,26%, a 165.568,32 pontos, tendo marcado 166.069,84 na máxima e 164.832,53 na mínima. O volume financeiro somou R$ 27,8 bilhões.

O dólar no dia

Antes da abertura da sessão, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários, rebatizada de CBSF, gestora ligada às fraudes do Banco Master, também em liquidação. Em nota, o BC afirmou que a liquidação da Reag ocorreu “por graves violações às normas” do sistema financeiro.

Embora o noticiário sobre a Reag tenha ficado no radar dos investidores, profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que ele não influenciou os preços.

Assim, durante a manhã o dólar se manteve próximo da estabilidade ante o real, embora no exterior a divisa norte-americana subisse ante seus pares fortes e sustentasse sinais mistos ante as moedas emergentes.

Durante a tarde, porém, o dólar se firmou em baixa, com alguns profissionais citando um fluxo positivo de recursos para o Brasil, em meio ao relativo alívio com o cenário externo e à queda inesperada dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.

Em entrevista exclusiva à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tem planos de demitir o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, apesar de uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre sua conduta. “Não tenho nenhum plano para fazer isso”, disse Trump, quando questionado se tentaria remover Powell de seu cargo.

Trump também disse que a Ucrânia — e não a Rússia — está impedindo um possível acordo de paz e, em outros momentos da entrevista, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã. Ao mesmo tempo, afirmou que as mortes na repressão aos protestos no Irã estavam diminuindo.

“O dólar recuou hoje no mercado doméstico em meio a um ambiente de apetite renovado por risco no cenário externo, sustentado pela suavização da retórica dos Estados Unidos em relação ao Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos incorporados nos ativos durante as últimas semanas”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

“A percepção de risco também foi beneficiada pela sinalização de Donald Trump de que não pretende demitir Jerome Powell, preservando a leitura de independência do Federal Reserve, em um contexto de dados econômicos positivos de atividade nos EUA divulgados hoje”, acrescentou.

No exterior, no fim da tarde o dólar seguia em alta ante as divisas fortes, mas recuava ante pares do real como o peso mexicano, o rand sul-africano e a lira turca. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,24%, a 99,312.

No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

O dia do Ibovespa

De acordo com o responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, o ano começou com muita volatilidade, guiada principalmente pela cena internacional, com questões geopolíticas, mas seguindo um pouco a dinâmica de 2025.

“Esse aumento de ruídos no mercado internacional tem beneficiado a percepção de melhora de fluxo para outras economias, e os emergentes têm capturado esse movimento”, afirmou.

Números da B3 mostram entrada líquida de capital externo na bolsa paulista nos primeiros pregões do ano, com o saldo positivo em quase R$3 bilhões até o dia 13 de janeiro, o que tem endossado a alta de 2,76% acumulada em 2026 até o momento.

Zanlorenzi também destacou a proximidade do início de um ciclo de corte da Selic, “que sem dúvida é uma discussão muito positiva”, bem como o cenário eleitoral e a temporada de balanços, que começa a entrar no radar.

“Um pouco da dinâmica do ano passado, de muita volatilidade, mas também com bastante oportunidade. A bolsa ainda está barata.”

Analistas do Itaú BBA destacaram que, mesmo que o índice renove sua máxima histórica, o mercado ainda não terá a máxima dos últimos 12 meses na maior parte dos índices setoriais, o que pode manter o mercado seletivo por mais algum tempo.

Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,26%, com o setor de semicondutores em destaque após os resultados TSMC. Na máxima do dia, subiu 0,76%.

 

DESTAQUES

– B3 ON avançou 2,65%, tendo no radar dados operacionais de dezembro, que analistas do BTG Pactual afirmaram que mostraram tendências melhores ao longo do quarto trimestre e reforçam o “momentum” de curto prazo mais favorável. O volume financeiro médio diário no segmento de renda variável ficou em R$30,5 bilhões, de R$30 bilhões um ano antes.

– BRADESCO PN valorizou-se 2,05% e ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,86%, em dia misto para os bancos do Ibovespa, com BTG PACTUAL UNIT também fechando em alta, de 1,06%, mas BANCO DO BRASIL ON registrando decréscimo de 0,19% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrando com declínio de 2,47%.

– PETROBRAS PN caiu 0,63% e PETROBRAS ON perdeu 1,02%, em pregão marcado por forte queda dos preços do petróleo no exterior. O barril do Brent caiu mais de 4%. A Petrobras também divulgou que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) bateu recordes históricos de produção de gasolina e diesel S-10 no quarto trimestre de 2025.

– VALE ON cedeu 0,09%, acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro na China. Na véspera, as ações da mineradora subiram quase 5% na quarta-feira.

– CSN ON fechou em queda de 3,12%, revertendo a alta de quase 5% no começo do pregão, marcado pela repercussão de anúncio da companhia de plano de venda de ativos mirando desalavancar entre R$15 bilhões a R$18 bilhões. No setor, USIMINAS PNA encerrou o dia em baixa de 3,23%, enquanto GERDAU PN subiu 0,32%.

– SMARTFIT ON desabou 8,17%, tocando uma mínima desde agosto do ano passado. A correção negativa nas ações ocorre após uma valorização de mais de 44% em 2025, enquanto publicações na mídia também citaram efeito de tom mais conservador adotado pelo CEO sobre as perspectivas para a rede de academias de ginástica, em reunião fechada com analistas.

– MOVIDA ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 12,19%, após prévia dos resultados mostrar lucro líquido de R$102 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 65% ante o mesmo período do ano anterior. O número também ficou 24% acima do guidance da locadora de veículos. “A força do lucro líquido foi notável”, ressaltaram analistas do Citi.