O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, 20, renovando máximas perto dos 166.500 pontos, com o desempenho robusto de blue chips como Vale e Itaú ajudando a descolar o pregão brasileiro do viés negativo de mercados acionários no exterior, onde o clima segue tenso após novas ameaças de tarifas dos Estados Unidos.

Já o dólar fechou em alta por conta das tensões entre Estados Unidos e Europa, tendo como pano de fundo o controle da Groenlândia.

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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,87%, a 166.276,90 pontos, após ter marcado 166.467,56 no melhor momento, recorde intradia. Na mínima, registrada pela manhã, quando o exterior ainda pressionava, apurou 163.574,67 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$ 23,55 bilhões.

O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,29%, aos R$ 5,3802, depois de ter chegado a oscilar acima dos R$ 5,40 mais cedo. No ano, a divisa acumula queda de 1,98%. +Veja cotações

Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,10% na B3, aos R$ 5,3940.

O dólar no dia

Após ter anunciado no fim de semana que pretende aplicar tarifas comerciais a oito países europeus, o presidente norte-americano, Donald Trump, continuou na segunda-feira a pressionar a Europa para que os EUA possam comprar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca.

Ao tratar de seu desejo pela Groenlândia, Trump afirmou na segunda-feira que já não pensa mais “puramente na paz”, evitando dizer se usaria a força para tomar a ilha, mas reiterando a ameaça tarifária. Do outro lado, a União Europeia estuda uma retaliação.

Nesta terça-feira, em um reforço da pressão norte-americana, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que impor cobranças aos países que se opõem ao controle da Groenlândia por Washington é “um uso apropriado de tarifas” em um contexto geopolítico.

A insistência de Trump na posse da Groenlândia gerou um movimento de fuga dos ativos norte-americanos (“Sell America”), o que incluiu a venda de Treasuries — com consequente avanço dos rendimentos dos títulos – e de ações em Wall Street.

Nos mercados de moedas, os investidores foram em busca da segurança de divisas como o euro, a libra e o franco suíço, em detrimento do dólar.

Entre as moedas de países emergentes, porém, a busca por segurança se materializou na alta do dólar ante divisas como o real, o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano.

No Brasil, o dólar à vista foi cotado na máxima de R$ 5,4090 (+0,83%) às 10h35, em meio às preocupações com o cenário geopolítico.

Na metade da sessão, a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília, fez o dólar se reaproximar da estabilidade.

O governador de São Paulo segue como o preferido da Faria Lima para a disputa pelo Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Profissionais ponderaram ainda que a perda de força da moeda norte-americana ante o real também esteve ligada ao fluxo de entrada de recursos no Brasil, onde a bolsa de valores registrou novos recordes.

Na mínima do dia, às 13h12, o dólar à vista marcou R$ 5,3596 (-0,10%), para depois voltar a ganhar força ante o real, novamente em sintonia com o exterior.

Às 17h17, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,48%, a 98,612.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.

O dia do Ibovespa

O Ibovespa ganhou fôlego no final da manhã, quando as bolsas norte-americanas abriram. Enquanto isso, preocupações envolvendo os planos de Donald Trump para a Groenlândia e incertezas relacionadas ao comando do Federal Reserve pressionaram Wall Street e endossaram o movimento de rotação de recursos que marcou 2025.

Na visão do analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o Brasil acaba se beneficiando desse movimento, uma vez que a bolsa ainda está “bastante depreciada”.

Dados da B3 neste começo de ano mostram entrada líquida de capital externo na bolsa, com o saldo positivo em R$7,3 bilhões até a última sexta-feira.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 2,06%, após fim de semana prolongado por feriado nos EUA na segunda-feira, em meio a ameaças recentes de Trump sobre tarifas adicionais de importação a produtos europeus em sua busca para assumir o controle da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.

Para o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o fato de o Brasil não ter sido afetado pelas discussões geopolíticas mais recentes também favorece uma “tranquilidade” no mercado brasileiro. “O pessimismo passou longe da bolsa” nesta sessão, acrescentou.

Na cena local, Cima, da Manchester, chamou a atenção para a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília.

Para o analista, não se espera nenhum anúncio ou mudança do cenário atual, “mas o que parece é que ele (Bolsonaro) quer deixar várias portas abertas para que, conforme o cenário vá se desenhando, ele possa ir se movendo de uma forma mais prudente, sem perder a relevância”.

*Com informações da Reuters