20/02/2026 - 17:34
O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, 20, renovando máximas históricas, com os papéis da Vale e de bancos entre os principais suportes, em pregão marcado por vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. Já o dólar fechou em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,06%, a 190.534,42 pontos, tendo marcado 190.726,78 na máxima, após 186.700,34 na mínima do dia. Na semana, encurtada pelo Carnaval, avançou 2,17%.
O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$ 5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
Às 17h06, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77% na B3, aos R$ 5,1840.
O dólar no dia
O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das “questões principais”.
Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso.
Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$5,1739 (-1,04%) no mercado brasileiro às 15h47, quando Trump concedia entrevista nos Estados Unidos prometendo novas medidas.
O norte-americano afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais.
“Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano”, disse André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito. “Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece.”
Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,09%, a 97,798.
Pela manhã, o Banco Central do Brasil vendeu apenas US$ 1 bilhão do total de US$ 2 bilhões ofertados em dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) simultâneos, para rolagem dos vencimentos de março.
No fim da manhã, o BC vendeu 35.100 contratos do total de 50.000 contratos de swap cambial tradicional, também para a rolagem de março.
O dia do Ibovespa
Nos EUA, uma maioria de juízes da Suprema Corte manteve a decisão de um tribunal inferior de que o uso de uma lei de 1977 destinada a ser usada em emergências nacionais pelo presidente republicano excedeu sua autoridade.
Em resposta, Trump afirmou que irá impor uma tarifa global de 10% por 150 dias para substituir algumas das taxas que foram derrubadas pela Suprema Corte. Ele disse que seu decreto será emitido com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a decisão da Suprema Corte dos EUA é “muito importante” para o Brasil e a nova tarifa de 10% não afeta a competitividade do Brasil uma vez que seria imposta a todos os países que exportam para os EUA.
De acordo com o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, há um efeito positivo generalizado na B3 em razão da decisão envolvendo as tarifas, que é potencializado por zeragem de posições vendidas com o rali recente.
Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,69%, com o dia mostrando ainda que o PIB dos EUA cresceu 1,4% no quarto trimestre, abaixo do esperado, enquanto um medida de inflação observada pelo Federal Reserve ficou acima das expectativas.
DESTAQUES
– VALE ON subiu 3,23%, abandonando a fraqueza da abertura, em mais um pregão sem o referencial dos preços futuros do minério de ferro na China, em razão de feriado naquele país.
– ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,4%, com melhora do setor durante o dia. BRADESCO PN subiu 2,02%, BANCO DO BRASIL ON avançou 2% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou em alta de 3,12%.
– PETROBRAS PN encerrou com variação positiva de 0,42%, em dia de oscilação modesta do petróleo no exterior, com PETROBRAS ON caindo 0,61%. O barril sob o contrato Brent fechou com acréscimo de 0,14%.
– WEG ON encerrou de alta de 1,21%, com o noticiário sobre as tarifas endossando uma recuperação após três quedas seguidas, período em que a companhia acumulou uma perda de quase 5%.
– PETRORECONCAVO ON subiu 2,81%, após anunciar otimização da diretoria da companhia com a redução de um cargo de diretor estatutário, enquanto aprovou ajustes na sua estrutura e atribuições para fortalecer seu foco estratégico.
– RAÍZEN PN recuou 3,23%, renovando mínimas históricas, com o novo piso intradia em R$0,58, sem novidades envolvendo planos para equacionar o endividamento elevado da produtora de açúcar e etanol.
– HAPVIDA ON caiu 2,69%, retomando o viés negativo após uma trégua na véspera, quando saltou 6,6%.
– AZUL PN disparou 60%, em meio a expectativa envolvendo o plano da companhia de sair do Chapter 11 nos EUA, equivalente ao processo de recuperação judicial no Brasil.
– TAURUS PN, que não faz parte do Ibovespa, subiu 5,17%, embalada pela derrubada das tarifas, dado que os Estados Unidos são o principal mercado da fabricante de armas.
– RANDONCORP PN, que não está no Ibovespa, cedeu 0,46%, após mostrar queda de 7,2% na receita em janeiro. FRASLE MOBILITY ON, que também teve queda no faturamento no primeiro mês do ano, de 17,6%, era negociada em baixa de 2,83%.
