25/02/2026 - 17:35
O dólar fechou a quarta-feira, 25, em baixa ante o real, no menor valor desde maio de 2024, influenciado pelo recuo da moeda norte-americana no exterior e por nova pesquisa sobre as eleições no Brasil mostrando empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros concorrentes ao Planalto.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,60%, aos R$5,1247, menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1163. No ano, a moeda acumula agora queda de 6,64%.
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira indica cenário de forte polarização em simulações de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, com empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ambos aparecem empatados pela primeira vez nas simulações do instituto.
No principal confronto testado, Flávio aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46,2%, configurando empate dentro da margem de erro. Em relação ao levantamento anterior, o petista recuou três pontos porcentuais, enquanto o senador subiu 1,4 ponto.
Em eventual repetição do segundo turno de 2022, Lula marca 44,9% e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 43,4%. No mesmo cenário estimulado, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) aparece com 3,8% e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), com 2%.
Esse cenário menos favorável a Lula foi bem recebido pelo mercado, traduzindo-se na queda do dólar ante o real. O movimento foi ajudado ainda pelo recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
“A aposta do mercado hoje é contra o Lula, isso está evidente. Então, a pesquisa ajudou neste contexto (de queda do dólar)”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, acrescentando que o recuo da moeda norte-americana no exterior também pesou sobre as cotações no Brasil.
Às 9h07 — na abertura da sessão, já após a pesquisa — o dólar à vista marcou a menor cotação do dia, de R$ 5,1188 (-0,71%).
Durante a sessão, a divisa chegou a virar para o positivo, registrando a máxima de R$ 5,1678 (+0,24%) às 12h48, mas à tarde ela voltou a se firmar em baixa. O recuo do dólar ocorreu a despeito de o dia ter sido negativo para o Ibovespa, o principal índice de ações da bolsa brasileira.
“Apesar de o Ibovespa ter apresentado leve correção, o panorama favorável ao real é reforçado pelo ingresso de recursos estrangeiros no mercado brasileiro… atraídos pelo diferencial de juros e pela continuidade do movimento de rotação geográfica/setorial global”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$ 3,358 bilhões em fevereiro até dia 20. Somente na semana passada, encurtada pelo Carnaval, o país recebeu US$ 1,870 bilhão.
No exterior, às 17h14 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,19%, a 97,695.
Ibovespa em queda
O Ibovespa testou os 192 mil pontos pela primeira vez na sua história nesta quarta-feira, mas perdeu o fôlego e fechou em queda, refletindo realização de lucros, enquanto o desempenho robusto de Vale evitou uma perda mais expressiva em dia também marcado pela repercussão de balanços e pesquisa eleitoral.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,19%, a 191.135,19 pontos, de acordo com dados preliminares, após avançar a 192.623,56 na máxima da sessão nos primeiros negócios, renovando o recorde intradia. Na mínima do dia, chegou a 190.419 pontos.
O volume financeiro no pregão somava R$24,7 bilhões antes dos ajustes finais.
