27/03/2025 - 17:25
Após oscilar em margens estreitas durante o dia, o dólar fechou a quinta-feira, 27, em alta e novamente no patamar R$ 5,75, com o real perdendo valor junto com outras divisas pares, como o peso mexicano e o peso chileno, em meio a preocupações dos investidores com os efeitos da política tarifária dos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou em alta de 0,44%, aos R$ 5,7580. No ano, porém, a divisa dos EUA acumula baixa de 6,81% ante o real. Veja cotações.
Às 17h03 na B3 o dólar para abril — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,15%, aos R$ 5,7505.
Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas de 25% para importações de veículos, ampliando a guerra comercial entre países.
O Ibovespa avançou nesta quinta-feira, fechando acima dos 133 mil pontos pela primeira vez em cerca de seis meses, em movimento guiado pela JBS e reforçado pelas blue chips Vale e Petrobras, tendo como pano de fundo o alívio na curva de juros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,47%, a 133.148,75 pontos, tendo marcado 133.904,38 pontos na máxima e 132.478,98 pontos na mínima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$ 20,77 bilhões.
O dólar no dia
Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas de 25% para importações de veículos, ampliando a guerra comercial entre países.
A medida pressionou o peso do México e o dólar do Canadá — dois dos principais parceiros comerciais dos EUA, inclusive no setor automotivo –, mas acabou influenciando negativamente também outras moedas, como o real e o peso do Chile.
Após marcar a cotação mínima de R$ 5,7226 (-0,18%) às 9h02, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,7721 (+0,69%) às 10h19.
A expectativa de altas menores da Selic nos próximos meses, conforme alguns profissionais, também era um fator de alta para o dólar, em meio à leitura de que uma taxa básica Selic não tão elevada diminui a atratividade do Brasil para os investimentos estrangeiros.
Por outro lado, autoridades do Banco Central deixaram claro, pela manhã, que há necessidade de continuação do aperto monetário, em função das expectativas de inflação fora da meta.
“Entendemos que o ciclo (de alta de juros) precisa se estender, mas, devido às incertezas, em menor magnitude. A gente consegue informar um horizonte só até a próxima reunião (de política monetária) sobre o que estamos pretendendo fazer”, disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
O BC elevou na semana passada a taxa Selic em 100 pontos-base, para 14,25% ao ano, e indicou um ajuste de menor magnitude na reunião de maio.
Neste contexto, após atingir a máxima no meio da manhã, o dólar se reaproximou da estabilidade e se manteve assim até a reta final, quando voltou a subir, confirmando a segunda elevação diária consecutiva.
O movimento ocorreu ainda em um contexto de preocupações com o novo programa do governo Lula para impulsionar o crédito consignado. Uma das leituras é a de que, enquanto o governo impulsiona o consumo com o consignado por um lado, o Banco Central tenta reduzir o ritmo da economia por outro, para conter a inflação.
“Isso está pegando também no câmbio. Se olharmos, estávamos falando de um dólar a R$5,66 há alguns dias e agora estamos com a moeda em R$5,75”, pontuou Lucélia Freitas Aguiar, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “A medida do governo traz incertezas.”
No início da tarde, durante coletiva de imprensa em Brasília, Galípolo afirmou ainda que a autarquia não tem nenhuma intenção de alterar sua atuação na rolagem de swaps cambiais. Há meses o BC tem rolado os swaps programados para vencer nos meses seguintes, tirando eventuais pressões sobre as cotações.
Galípolo argumentou que o BC não costuma fazer “movimentos de duas alavancas ao mesmo tempo”.
“Estamos em um ciclo de alta (da Selic) e a gente não gosta de fazer (outros movimentos), porque a gente quer perceber como vai se dar o processo de desdobramento”, afirmou.
Às 17h30, no exterior o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,34%, a 104,280.
O dia do Ibovespa
O Ibovespa não fechava acima dos 133 mil pontos desde 2 de outubro do ano passado (133.514,94). Com o desempenho desta quinta-feira, já acumula em março uma valorização de mais de 8%, enquanto no ano sobe quase 11%.
Estrategistas atribuem tal performance a um movimento global de rotação de recursos, que tem favorecido mercados emergentes, como é o caso do Brasil, além da redução de prêmios na curva de juros brasileira neste ano.
Dados da B3 mostram uma entrada líquida de capital externo de R$4,7 bilhões em março até o dia 25, totalizando R$13,4 bilhões em 2025.
O último pregão da semana também contou com a divulgação do IPCA-15 de março, que mostrou uma descaceleração maior do que o previsto em relação ao mês anterior. A taxa em 12 meses, porém, de 5,26%, alcançou uma máxima em dois anos.
“Consideramos o resultado divulgado hoje positivo, especialmente pela composição dos dados”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório enviado a clientes.
“Os serviços continuam pressionados, como já esperávamos, mas os serviços subjacentes começaram a mostrar uma pressão menos intensa. Esse movimento deve, ao longo do tempo, ser reforçado a medida que a atividade econômica desacelere.”
Para o ano de 2025 como um todo, os economistas do banco projetam alta de 5,6% para o IPCA.
DESTAQUES
– JBS ON fechou em alta de 5,83%, em dia positivo para ações de empresas de proteínas. Analistas do Bank of America também elevaram o preço-alvo do papel para R$55, de R$48 anteriormente, e reiteraram recomendação de compra.
– VALE ON fechou em alta de 0,8%, acompanhando os futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrou as negociações do dia com acréscimo de 1,28%.
– PETROBRAS PN avançou 0,75%, com o barril de petróleo do tipo Brent terminando com elevação de 0,33%. PETROBRAS ON valorizou-se 1,02%.
– COGNA ON subiu 5,15%, tendo no radar relatório de analistas do Bradesco BBI elevando o preço-alvo de R$2,50 para R$3,10 e reiterando “outperform”, bem como a preferência pelo papel no setor. YDUQS ON valorizou-se 4,93%.
– MAGAZINE LUIZA ON ganhou 3,62%, endossada pelo alívio nos DIs, que beneficiava outros papéis sensíveis a juros. O índice do setor de consumo ganhou 1,68%.
– CVC BRASIL ON recuou 2,58%, tendo no radar resultado do último trimestre do ano passado, que mostrou consumo de caixa de R$50,7 milhões. O Ebitda ajustado somou R$108,1 milhões no período, crescimento de 25,1%.
– ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,12%, em dia misto entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN cedeu 0,38% e BANCO DO BRASIL ON recuou 0,42%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,62%.
– IMC ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 21,74%, após anunciar joint venture com a Kentucky Foods Chile Limitada envolvendo a operação do KFC no Brasil, em acordo no qual o grupo chileno pagará US$35 milhões à companhia.
– AMERICANAS ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 25,97%, tendo no radar o balanço do último trimestre de 2024 com prejuízo líquido de R$586 milhões e queda de 4,5% no faturamento líquido na base anual, a R$4,3 bilhões.