09/01/2026 - 11:14
O dólar intensificou as perdas ante o real nesta manhã de sexta-feira, 9, após a divulgação de dados abaixo do esperado sobre o mercado de trabalho norte-americano, em sintonia com a perda de força da moeda norte-americana também no exterior.
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Às 11h12, o dólar à vista cedia 0,35%, a R$ 5,365 na venda, após bater R$ 5,356 no momento mais baixo do dia. Já o Ibovespa avançava 0,44%, negociado nos 163.658,49 pontos.
Mercado de trabalho dos EUA surpreendeu
O Departamento do Trabalho informou que foram gerados 50.000 postos de trabalho em dezembro nos Estados Unidos, abaixo dos 60 mil projetados em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego nos EUA ficou em 4,4%, ante projeção de 4,5%.
Em uma primeira reação aos números, os rendimentos dos Treasuries de dez anos — referência global de investimentos — perderam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas.
No Brasil, a moeda norte-americana, que já oscilava em leve baixa antes do relatório de empregos, aprofundou o movimento, renovando as menores cotações do dia até o momento, em meio à leitura de que as chances de mais cortes de juros nos EUA aumentaram.
Fatores internos também pressionam queda do dólar
O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$6,00 nos últimos meses.
Mais cedo, na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,35% no mês e de 4,30% no ano.
A inflação do ano ainda está acima do centro da meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, que vai até 4,50%. Em novembro a inflação oficial já havia ficado dentro do intervalo de tolerância, ao atingir 4,46% em 12 meses.
Embora a inflação de dezembro e do acumulado de 2025 tenham ficado abaixo das projeções dos economistas, a abertura dos dados ainda mostrou um cenário de pressão de preços, o que dava sustentação à curva de juros brasileira. Por trás disso está a visão de que, com a inflação ainda pressionada, o Banco Central pode iniciar o processo de corte de juros apenas em março, favorecendo o diferencial de juros entre Brasil e EUA.
Na quinta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 5,3892, em alta de 0,04%.
Às 11h30 o Banco Central realiza leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
