O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, com o ambiente externo ainda avesso a risco devido ao conflito no Oriente Médio, mas Petrobras evitou um declínio mais forte, com as PNs disparando, em pregão de forte alta do petróleo no exterior e repercussão dos resultados e perspectivas da estatal.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,61%, a 179.364,82 pontos, tendo marcado 178.556,49 na mínima e 181.091,01 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$32,58 bilhões.

Com o desempenho após os ajustes finais de pregão, o Ibovespa acumulou uma queda de 4,99% na semana, a maior perda semanal desde o tombo de mesmo percentual da semana encerrada em 11 novembro de 2022. Acima disso, somente a perda de 5,36% da semana encerrada em 17 de junho de 2022.

Nesta sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu a “rendição incondicional” do Irã na guerra que começou no último sábado, quando EUA e Israel atacaram o país, que revidou. Desde então, não houve sinais de trégua e o comentário de Trump pouco ajuda nas negociações.

Poucas horas antes do comentário de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou na rede social X que “alguns países iniciaram esforços de mediação”. Ele destacou que o país está comprometido com a paz duradoura na região, mas que o Irã não hesitará em defender a sua dignidade e a sua autoridade.

A crise paralisou o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, fluxo vital de petróleo e gás daquela região, o que fez preço da commodity disparar e tem alimentado preocupações com o efeito na inflação e seus reflexos em políticas monetárias no mundo, principalmente nos EUA.

Nesta sexta-feira, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 8,5%, a US$92,69.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou em queda de 1,33%, com números sobre o mercado de trabalho da maior economia do mundo – com fechamento de postos e aumento da taxa de desemprego – também no radar de agentes financeiros.

Petróleo em alta

Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico. O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira, 6, em US$ 92,69, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana.

Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em US$ 90,90, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana. Em poucas sessões, os preços encareceram mais de US$ 20 por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os US$ 30.

“Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas. Preocupam-me muito as consequências de longo prazo”, em particular a eclosão de uma recessão econômica, disse à Ole R. Hvalbye, analista do SEB.

O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma “capitulação” do Irã. O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto.

Volatilidade do dólar

Após oscilar acima dos R$ 5,30 em alguns momentos da manhã, o dólar se firmou em baixa no Brasil durante a tarde desta sexta-feira, 6, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda e com o enfraquecimento da divisa dos EUA também no exterior. O dólar à vista fechou a sessão em queda de 0,88%, aos R$ 5,2414, mas ainda assim a primeira semana de guerra no Oriente Médio foi desastrosa para o real, com a moeda norte-americana acumulando alta de 2,08% no período. No ano, o dólar passou a acumular queda de 4,51%.

Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,55% na B3, aos R$ 5,2735.

Pela manhã, investidores de todo o mundo em busca de segurança voltaram a vender ações e comprar dólares, penalizando ativos de maior risco como as divisas de países emergentes. Isso deu força ao dólar também no Brasil, que chegou a superar os R$5,30 em alguns momentos da manhã. No entanto, sempre que as cotações ultrapassavam este nível, participantes do mercado entravam nas operações vendendo moeda.

“O dólar tentou acompanhar a valorização global em função da guerra e da alta do petróleo, mas apareceu fluxo, o exportador vendeu nos R$ 5,30”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Nos R$ 5,30 o pessoal entra vendendo, e também há desmonte de posição (no mercado futuro)”, acrescentou.

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A divulgação do relatório de empregos payroll de fevereiro nos EUA, no meio da manhã, também fez o dólar reduzir os ganhos no exterior, com reflexos no Brasil. Os dados revelaram o fechamento de 92.000 postos de trabalho, após criação revisada para baixo de 126.000 em janeiro. O número negativo surpreendeu os economistas, que esperavam uma abertura de 59.000 postos em fevereiro, conforme pesquisa da Reuters.

Em reação, os rendimentos dos Treasuries cederam, com investidores precificando chances maiores de corte de juros no curto prazo nos EUA, e o dólar se enfraqueceu ante boa parte das demais divisas. No Brasil, após atingir a cotação máxima de R$5,3215 (+0,64%) às 11h10, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 5,2388 (-0,92%) às 16h59, um minuto antes do fechamento.

No fim da manhã, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem dos vencimentos de abril. Às 17h02, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,08%, a 98,971.