19/02/2026 - 17:35
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, 19, acima dos 188 mil pontos, com as ações da Axia entre os principais suportes diante da perspectiva de migração para o Novo Mercado, assim como os papéis da Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior.
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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,35%, a 188.534,42 pontos, tendo chegado a 188.687,12 na máxima e marcado 185.927,99 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 28,9 bilhões.
“Minha leitura é de que foi mais um dia de ingresso de estrangeiro”, disse o gestor de renda variável Naio Ino, da Western Asset, citando o interesse desses investidores principalmente em “large caps” e ações com liquidez.
Na visão de Ino, enquanto o fluxo continuar, é difícil enxergar uma realização (mais relevante) de curto prazo.
Já o dólar fechou rondando a estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante as demais divisas, com alguns agentes citando o efeito do fluxo de entrada de recursos no país sobre as cotações.
O dólar à vista fechou a sessão com leve baixa de 0,04%, aos R$ 5,2282. No ano, a divisa agora acumula baixa de 4,75%. Veja cotações.
Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,21% na B3, aos R$ 5,2380. O volume era elevado, com mais de 312 mil contratos de dólar para março negociados.
O dólar no dia
A acomodação do dólar no Brasil contrastou com o exterior, onde a moeda sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, com os investidores atentos aos dados econômicos divulgados nos EUA e à mobilização de tropas norte-americanas ao redor do Irã.
O dólar exibiu ganhos em relação a divisas fortes como o euro, a libra e o iene, além de avançar ante moedas pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,20%, a 97,895.
No Brasil, o dólar se manteve próximo da estabilidade, chegando a registrar leves quedas em alguns momentos.
“O dólar abriu em alta, acompanhando exterior, mas virou em função de fluxo para o Brasil. O exportador está vendendo o que havia represado durante o período de Carnaval”, pontuou no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E há também fluxo para a bolsa.”
Favorecido pelo fluxo, o Ibovespa sustentou ganho superior a 1% durante boa parte da sessão.
Um operador ouvido pela Reuters também citou o fluxo de entrada de recursos no país para justificar o desempenho mais fraco do dólar ante o real nesta quinta-feira.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$1,488 bilhão em fevereiro até dia 13. Somente na semana passada entraram líquidos no país US$1,783 bilhão, em meio aos relatos de investimentos estrangeiros para a bolsa.
Mais cedo nesta quinta-feira, os agentes digeriram os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Considerado uma espécie de prévia para o Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br cedeu 0,2% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. A retração foi inferior à baixa de 0,5% projetada por economistas em pesquisa da Reuters.
“O IBC-Br mais resiliente reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic, preservando o diferencial de juros ainda elevado e favorecendo estratégias de carry trade”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, mas o mercado espera que o Banco Central inicie o ciclo de cortes em março — resta saber se com redução de 25 ou de 50 pontos-base.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 40.000 do total de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março.
O dia do Ibovespa
Fevereiro registra um saldo positivo de capital externo de R$ 8,76 bilhões até o dia 13 para as ações brasileiras, segundo os dados mais recentes disponíveis pela B3. Em janeiro, houve uma entrada líquida de R$26,3 bilhões.
Tal fluxo, reflexo de um movimento de rotação de ativos globais, com a perspectiva de queda da Selic no Brasil neste ano como pano de fundo, voltou a ajudar a bolsa paulista a descolar de Wall Street, onde o S&P 500 cedeu 0,28%.
De acordo com estrategistas da XP, após reuniões com investidores nos EUA na semana passada, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo, embora exista um certo desconforto com os níveis de valuation após a alta recente.
Eles citaram que os fortes fluxos estrangeiros para o Brasil em 2026 são vistos como impulsionados principalmente por fundos Macro e passivos (ETFs), e não por fundos ativos.
“Como resultado, vários investidores mencionaram o descasamento entre os grandes nomes do índice – como Vale, Petrobras, Itaú, que se beneficiaram fortemente dos fluxos, enquanto o restante do mercado ficou para trás”, citaram.
“Assim, um ‘trade’ de convergência pode começar a funcionar em breve, mas somente quando os fortes fluxos passivos para o Brasil diminuírem”, acrescentaram em relatório a clientes.
DESTAQUES
– AXIA ON avançou 4,44% tendo no radar convocação de assembleia de acionistas em 1º de abril para votar a migração da companhia o Novo Mercado, que exigirá a conversão das preferenciais em ordinárias. AXIA PNB subiu 6,94%.
– PETROBRAS PN avançou 1,67% e PETROBRAS ON subiu 2,62%, em dia de alta de petrolíferas na B3 acompanhando o preço do petróleo no exterior. O barril sob o contrato Brent subiu 1,9%, para US$71,66, máxima em seis meses.
– ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,17%, em sessão positiva no setor, com BRADESCO PN avançando 2%, BANCO DO BRASIL ON valorizando-se 2,48% e SANTANDER BRASIL UNIT fechando em alta de 1,28%.
– VALE ON reagiu e fechou em alta de 0,2%, após três quedas seguidas, quando passou por correção após máximas registradas no último dia 11. A ação seguiu sem o referencial dos preços do minério de ferro na China por feriado no país.
– WEG ON cedeu 3,78%, com analistas do JPMorgan colocando um “negative catalyst watch” nas ações à espera de um resultado fraco sobre o quarto trimestre na próxima semana, com crescimento pouco expressivo de receita e margens pressionadas.
– GPA ON caiu 9,82%, ampliando as perdas no ano para mais de 20%. De acordo com reportagem do Brazil Journal, citando fontes, uma solução para equilibrar as contas passa por um aumento de capital, entre R$500 milhões e R$700 milhões. O valor de mercado da companhia no final desta sessão fechou a R$1,65 bilhão, segundo dados da LSEG.
– NATURA ON subiu 0,75% após anunciar a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest por aproximadamente 26,9 milhões de euros, concluindo a estratégia de simplificação da empresa.
