O dólar se desvalorizou ante o iene nesta quarta-feira, 10, após o presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda, dizer a um grupo de investidores japoneses que a moeda do país não deve se desvalorizar mais. Ante o euro, a alta nos juros dos bônus da Alemanha encorajou investidores a encerrar algumas de suas apostas contra a moeda comum.

A queda do dólar marca o terceiro dia consecutivo de perdas dessa moeda ante suas principais rivais. No fim da tarde de quarta-feira em Nova York, o dólar recuava a 122,64 ienes, de 124,31 ienes no fim da terça-feira, enquanto o euro valorizava a US$ 1,1322, de US$ 1,1280 ontem.

Os formuladores da política monetária japonesa mostram-se cada vez mais cautelosos ante o enfraquecimento do iene nos últimos meses. Em abril, um assessor econômico do primeiro-ministro Shinzo Abe disse que um valor apropriado para o iene seria de 105 ienes ante o dólar. Em fevereiro, Kuroda disse que o banco central não deveria expandir o programa de estímulo do Japão no curto prazo, por causa do iene mais fraco.

Na sexta-feira, a moeda japonesa recuou à mínima em 13 anos ante o dólar, após um relatório mensal de empregos (payroll) forte de maio nos EUA.

Apesar da retórica, vários estrategistas de câmbio dizem esperar que o dólar continue a se valorizar ante o iene, no longo prazo. “Nenhuma retórica irá desacelerar o rali do dólar se o Fed de fato caminhar para normalizar as taxas de juros”, disse Boris Schlossberg, diretor-gerente de estratégia de câmbio da BK Asset Management, referindo-se ao Federal Reserve, o banco central dos EUA.

A libra se valorizava ante o dólar, com os investidores aguardando o discurso anual do presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney. No ano passado, Carney chocou os mercados ao dizer que o BoE poderia elevar os juros “mais rápido que os mercados esperam atualmente”. Em declarações hoje, Carney afirmou que a instituição recomenda penas de prisão mais duras para os culpados por manipulação do mercado financeiro. Segundo Carney, a volatilidade nos mercados deve aumentar, conforme a política monetária se normaliza.

No caso do euro, a moeda avançava ante a alta nos juros dos bônus de 10 anos da Alemanha. Brian Daingerfield, estrategista de câmbio da RBS Securities, lembra que a renda fixa alemã é ainda um importante fator a direcionar as movimentações do euro.