Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar à vista recuava ante o real nesta sexta-feira, com investidores repercutindo o anúncio feito na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de contenção de 15 bilhões de reais no Orçamento deste ano com o objetivo de cumprir as exigências do arcabouço fiscal.

Às 9h46, o dólar à vista caía 0,87%, a 5,5403 reais na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,09%, a 5,555 reais na venda.

Após o fechamento dos mercados na quinta-feira, Haddad antecipou anúncio, previsto inicialmente para acontecer na segunda-feira, de que o governo realizará uma contenção orçamentária no valor de 15 bilhões de reais a fim de cumprir o marco fiscal aprovado no ano passado.

Segundo o ministro, 11,2 bilhões de reais serão bloqueados para respeitar o limite de despesas públicas para este ano. Outros 3,8 bilhões de reais serão contingenciados para que a projeção de resultado primário do ano fique dentro da banda de tolerância da meta fiscal de déficit zero. Os dois mecanismos reduzem, na prática, os recursos disponíveis para gastos pelos ministérios.

A decisão, feita durante reunião de ministros da Junta de Execução Orçamentária com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parecia aliviar preocupações do mercado, acirradas ao longo desta semana, com o compromisso fiscal do governo.

Na quinta-feira, o dólar à vista encerrou o dia cotado a 5,5887 reais na venda, em alta de 1,89%. Em dois dias a divisa saltou 2,94%, o equivalente a 16 centavos de real.

Investidores ficaram ansiosos depois que Lula questionou na terça-feira, em entrevista à TV Record, o cumprimento do arcabouço caso haja “coisas mais importantes para fazer”.

Falas de membros do governo ao longo da semana, como do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, na quarta-feira e da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, na véspera, falharam em convencer o mercado de que o Executivo estaria concentrado na perseguição da meta fiscal.

O anúncio de Haddad também responde a meses de pedidos dos investidores por medidas concretas para o ajuste fiscal. No início do mês, o chefe da Fazenda já havia informado que o governo cortará 25,9 bilhões de reais em despesas obrigatórias no Orçamento do próximo ano.

No cenário externo, os mercados analisavam as consequências de uma falha cibernética global que afetava as operações de empresas do setor financeiro e de tecnologia, companhias aéreas e emissoras de televisão e rádio.

Uma atualização de um produto oferecido pela empresa global de segurança cibernética CrowdStrike parece ter sido o gatilho para os problemas, afetando clientes que usam o sistema operacional Windows, da Microsoft. A Microsoft disse nesta sexta-feira que o problema foi corrigido.

“A conturbada abertura de hoje após o grande apagão tecnológico mostrou um dólar levemente menos pressionado diante do anúncio da contenção de 15 bilhões de reais em gastos para cumprimento do arcabouço fiscal”, disse Marcio Riauba, gerente da Mesa de Operações da StoneX Banco de Câmbio.

O apetite por risco se amenizou nesta semana, apesar de o dólar ainda estar diante de uma pressão global em meio às expectativas de que o Federal Reserva iniciará um ciclo de afrouxamento monetário em setembro, com a possibilidade de até três cortes de juros ao fim do ano.

Os resultados em mercados emergentes eram mistos, com a divisa norte-americana recuando frente ao peso mexicano e ao peso colombiano, mas avançando sobre o rand sul-africano.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,20%, a 104,350.

tagreuters.com2024binary_LYNXMPEK6I0HA-VIEWIMAGE