O dólar acelerava sua queda frente ao real nas negociações desta segunda-feira, em linha com a fraqueza da divisa norte-americana no exterior e influenciado pela realização de lucros de investidores no Brasil, recuando mais de 1% e devolvendo ganhos recentes.

Às 11h04, o dólar à vista caía 1,08%, a R$ 5,3826 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,97%, a R$ 5,3855 na venda.

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Na sexta-feira, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,4413 reais venda, em baixa de 0,38%.

“Dólar caindo de maneira generalizada. E aqui talvez um pouco mais por uma realização de lucros”, disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

Nesta manhã, a divisa norte-americana caía em uma série de mercados desenvolvidos e emergentes, o que refletia em uma queda no Brasil.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — cedia 0,43%, a 105,420.

O euro era negociado a 1,074175 dólar, em alta de 0,44% no dia.

Entre moedas emergentes, eram destaques a queda do dólar ante o peso mexicano, de 0,52%, e contra o peso colombiano, de 0,95%.

No mercado nacional, a queda mais acentuada do dólar podia ser vista como a realização de lucros obtidos por investidores com as altas recentes da moeda norte-americana, quando preocupações dos investidores com as contas públicas brasileiras geraram uma maior fraqueza do real.

Na semana passada, os temores do mercado aumentaram ainda mais com uma série de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacando o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a condução da política monetária por parte da autarquia.

O dólar atingiu na quinta-feira seu maior valor desde 22 de julho de 2022, a 5,4618 reais na venda, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro.

Nesta semana, após sessões marcadas por decisões de política monetária no Brasil e em mercados desenvolvidos, os investidores voltam suas atenções para a divulgação de novos dados de inflação, em busca de sinais sobre o processo de controle dos preços a nível global.

O mercado doméstico analisará na quarta-feira novos dados do IPCA-15 para junho, com expectativa de analistas consultados pela Reuters de alta de 0,45% na base mensal, ante 0,44% no mês anterior.

As divulgações de números de inflação no Brasil têm ganhado importância à medida que as expectativas do mercado sobre os preços seguem subindo para este e o próximo ano, gerando preocupação nas autoridades do Banco Central.

Mais cedo, economistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus elevaram novamente a projeção para o IPCA ao fim deste ano, a 3,98%, ante 3,96% na semana anterior, e para 2025, a 3,85%, de 3,80%.

A visão da autarquia sobre a desancoragem das expectativas será elaborada mais uma vez na terça-feira, quando o BC divulgar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que foi decidida a manutenção da taxa Selic em 10,50% ao ano.

No Focus desta segunda-feira, os economistas ainda elevaram sua projeção para o valor do dólar ao fim deste ano, visto agora em 5,15 reais, ante 5,13 reais na semana passada, em meio à fraqueza recente da moeda brasileira.