O clima de cautela no exterior e as incertezas econômicas com o cenário doméstico garantem uma abertura em alta para o dólar. Os investidores continuam mostrando impaciência na espera do anúncio da equipe que formará o segundo governo Dilma e, apesar do aval para a Petrobras reajustar os preços dos combustíveis, na reunião de terça-feira, 4, do conselho da estatal, os investidores terão de aguardar um pouco mais para saber o porcentual do aumento e a data, reforçando as angústias. No exterior, nesta manhã, saíram mais dados que evidenciam a fraqueza das economias da zona do euro, enquanto nos EUA o mercado vai digerindo a derrota do Partido Democrata, de Barack Obama, nas eleições legislativas, na expectativa pela agenda do dia, que prevê, entre outros, indicadores do mercado de trabalho.

Às 9h35, o dólar à vista no balcão subia 0,48%, a R$ 2,521, porém abaixo do nível da abertura (R$ 2,527) após o leilão de venda de até US$ 200 milhões em swap cambial e com um movimento limitado de realização de lucros, já que a moeda vem subindo a três sessões seguidas. No segmento futuro, o dólar para dezembro tinha alta de 1,01%, a R$ 2,540.

A moeda ante o real acompanha a tendência no exterior, onde é negociado em alta ante divisas de países emergentes, ligadas a commodities e moedas fortes, como iene e euro. Dados divulgados na zona do euro renovaram as preocupações com a economia da região e enfraquecem a moeda única, cotada a US$ 1,2488 (-0,50%), às 9h23, assim como indicadores da China sugeriram desaceleração da atividade e também ajudam a fortalecer o dólar.

As vendas no varejo da zona do euro recuaram 1,3% em setembro, ante agosto, registrando a maior queda mensal desde abril de 2012. Na Alemanha, o índice de gerentes de compras (PMI) de serviços caiu para 54,4 em outubro, de 55,7 em setembro, segundo a Markit Economics. Ficou abaixo da previsão dos analistas, de queda a 54,8. Na China, o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços, medido pelo banco HSBC, recuou para 52,9 em outubro, de 53,5 em setembro.

Ainda, a moeda norte-americana é amparada pelo resultado das eleições para o Congresso dos EUA, ontem, que confirmou que o Partido Republicano não somente manteve sua maioria na Câmara como também agora assumiu o controle no Senado. Se, por um lado, a vitória dos republicanos pode dificultar a governabilidade nos dois anos restantes do mandato de Obama, por outro, há percepção de que pode ser positiva para as empresas e para a economia como um todo.

Ainda nesta quarta-feira, 5, a agenda traz o relatório da ADP sobre criação de empregos no setor privado do mês passado, às 11h15. Depois, às 12h45, será anunciado o índice ISM de atividade do setor de serviços de outubro e, às 13 horas, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI) de serviços final de outubro.

No Brasil, os investidores seguem ansiosos por saber quem será o novo ministro da Fazenda, mas a questão segue em aberto. Ontem, a presidente Dilma discutiu com Lula nomes para o novo Ministério, tendo o ex-presidente apresentado a ela uma lista de indicações para vários cargos e opinado que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles tem perfil ideal para ocupar a Pasta, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast.