16/06/2026 - 18:36
O Ibovespa fechou com declínio modesto nesta terça-feira, abaixo dos 170 mil pontos, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior. Já o dólar fechou em alta ante o real, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA e repercutindo nova pesquisa eleitoral.
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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,45%, aos R$ 5,0894. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,28% ante o real. Veja mais cotações.
Petróleo Brent cai abaixo de US$ 80
Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a performance do Ibovespa refletiu uma combinação de cautela antes das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil na quarta-feira com a queda dos preços do petróleo.
O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 5,1%, a US$ 78,96, em meio a expectativas para a normalização do transporte no Estreito de Ormuz, após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã.
Os EUA também permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente após a assinatura da versão final do acordo, de acordo com uma autoridade norte-americana de alto escalão.
Em Nova York, porém, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,57%, com investidores também na expectativa da decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira. A expectativa é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
Selic e pesquisa eleitoral
O Banco Central também anuncia decisão sobre juros na quarta-feira, com a maioria das apostas na direção de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano.
O cenário base da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 ponto, seguido de estabilidade até o fim de 2026.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países — como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
O viés de alta para a moeda norte-americana foi reforçado nesta terça, após divulgação de pesquisa mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 12,5 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro. Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula.
Destaques do Ibovespa
- PETROBRAS PN caiu 1,33% e PETROBRAS ON recuou 0,96%, em mais um dia negativo para as petrolíferas brasileiras, seguindo o movimento do petróleo no exterior. PRIO ON perdeu 0,44%, PETRORECONCAVO ON cedeu 2,15% e BRAVA ON fechou negociada em baixa de 2,68%.
- VALE ON subiu 0,34%, atuando como contrapeso, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. No setor, USIMINAS PNA tombou 6,2%, enquanto CSN ON caiu 1,15%, CSN MINERAÇÃO ON perdeu 0,91% e GERDAU PN recuou 0,3%. A Gerdau divulgou na véspera que fechou um acordo para aquisição da participação da Copel na DFESA, de geração de energia elétrica.
- MAGAZINE LUIZA ON caiu 6,54%, tendo como pano de fundo dados sobre o varejo mais fracos do que as expectativas em abril, mas também relatório do UBS BB cortando o preço-alvo das ações para R$6,50, de R$10 anteriormente, e reiterando recomendação neutra. O índice de consumo da B3 fechou em queda de 0,33%.
- BRASKEM PNA desabou 9,23%, tendo no radar decisão da Justiça Federal em Alagoas que tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. A companhia disse que seguirá empenhada no cumprimento de todos os compromissos assumidos.
