17/03/2016 - 18:59
O dólar teve um segundo dia de queda generalizada nesta quinta-feira, 17, após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), manter no dia anterior sua política monetária e sinalizar que deve haver um número menor de altas nos juros neste ano.
No fim da tarde em Nova York, o dólar recuava a 111,49 ienes, de 112,63 ienes no fim da quarta-feira, e o euro avançava a US$ 1,1316, de US$ 1,1221. O WSJ Dollar Index, que compara a moeda dos EUA ante uma cesta de outras 16 divisas, atingiu o patamar mais baixo desde junho do ano passado.
O Fed sugeriu que pode elevar os juros apenas duas vezes neste ano, quando em sua projeção de dezembro apontava para quatro altas em 2016. Os juros mais baixos tornam o dólar menos atrativo para investidores em busca de maiores rendimentos. Além disso, os dirigentes do BC mostraram-se menos otimistas com as perspectivas para a economia norte-americana.
Ante o iene, o dólar chegou a atingir mais cedo a mínima desde outubro de 2014. Funcionários do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) questionaram bancos sobre em que patamar a moeda estava sendo negociada ante o dólar, disse ao Wall Street Journal uma pessoa familiarizada com o assunto. O contato é sinal do desconforto do BoJ diante da rápida apreciação do iene, que pode prejudicar as exportações japonesas.
A libra também avançou ante o dólar, mesmo num dia em que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu manter a política monetária. Além disso, a instituição advertiu que a votação popular sobre se o Reino Unido deve ou não seguir na União Europeia pode desacelerar a economia do país.
Outro banco central em foco na Europa foi o da Noruega. O Norges Bank cortou sua taxa básica de juros hoje, em uma tentativa de impulsionar a economia dessa nação bastante dependente do petróleo. Alguns investidores, porém, esperavam que o banco central sinalizasse com a possibilidade de taxas de juros ainda menores. Na África do Sul, por outro lado, o banco central elevou os juros para tentar proteger o rand, em meio à crise política causada por uma controvérsia envolvendo negócios da família do presidente Jacob Zuma.
As moedas emergentes em geral, de qualquer modo, se beneficiaram hoje, em uma sessão de alta nos preços do petróleo e com a perspectiva de taxas de juros mais baixas.