Em sua quinta sessão consecutiva de valorização frente ao real, o dólar à vista fechou cotado a R$ 3,489, com alta de 0,84%. A pressão sobre a moeda norte-americana é atribuída essencialmente à deterioração das percepções do mercado quanto à política e a economia do País, principalmente com a volta do recesso do Congresso. O dia teve variadas discussões em torno das difícil relação do governo com o Congresso. Pauta-bomba, dificuldades do ministro Joaquim Levy (Fazenda) nas negociações com parlamentares e articulação para pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff são alguns dos ingredientes que azedam o humor dos investidores.

Em declarações à imprensa, o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, conclamou o Congresso a unificar o País. Diante do agravamento da crise econômica e política, Temer reconheceu que o cenário atual é “grave”, mas, em uma fala emocionada, disse que “é preciso pensar no País acima dos partidos, acima do governo” e que não há como “trabalhar separadamente”. Mais cedo, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que governo e oposição estão “no mesmo barco”, referindo-se à necessidade de priorizar as questões relevantes para o país. “Precisamos de equilíbrio e bom senso e estamos todos no mesmo barco, que se chama Brasil”, disse.

Nos trabalhos do Congresso, a expectativa do período da tarde foi a da votação em segundo turno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 443. O texto vincula o teto dos subsídios de advogados públicos, defensores públicos e delegados das Polícias Federal e Civil a 90,25% do que recebem os ministros do STF. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, buscou contornar o estresse com a votação da PEC reafirmando a posição contrária do governo diante da proposta, que traria um custo adicional de R$ 2,454 bilhões por ano à folha de pagamentos.

Com a quinta alta consecutiva, o dólar acumulou valorização de 4,77% e atingiu a maior cotação desde 10 de março de 2003. O dia foi de valorização da moeda americana também no mercado internacional, com destaque para as moedas de países emergentes e exportadores de commodities. Mesmo assim, a valorização frente ao real foi uma das mais significativas. Às 16h51, o dólar futuro para setembro negociado na BM&FBovespa subia 0,53%, cotado a R$ 3,520.