01/07/2026 - 17:55
O dólar fechou a quarta-feira, 1º, em alta ante o real e novamente acima dos R$ 5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em uma sessão no Brasil também permeada pela disputa eleitoral e perspectiva de um ciclo de alívio monetário no país mais curto do que o esperado.
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O dólar à vista encerrou a primeira sessão de julho com alta de 0,92%, aos R$ 5,2102. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,08%. Veja mais cotações.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,2%, a 171.688,61 pontos.
A alta do dólar no Brasil se manteve a despeito de o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, ter afirmado no fim da manhã que as expectativas e os riscos de inflação nos EUA diminuíram nas últimas semanas, o que chegou a reduzir o ímpeto da moeda norte-americana ante outras divisas fortes, como o iene, o euro e a libra.
“O exterior é responsável hoje por quase toda a alta do dólar ante o real. Os juros (nos EUA) tendem a subir em algum momento este ano, e isso está atuando para a alta das cotações”, comentou no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
No exterior, o mês começou sem um viés único em Wall Street, com o S&P 500 fechando com declínio de 0,22%, e avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos, tendo a cena geopolítica e dados econômicos dividindo as atenções.
Petróleo cai para mínimas de 4 meses
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com queda de US$1,38, ou 1,89%, a US$ 71,57 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou 1,32%, a US$ 68,58 o barril. Ambos os índices de referência fecharam nos níveis mais baixos em quatro meses.
Cenário político local
Pela manhã, a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio, segundo a sondagem. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A candidatura de Flávio também seguia pressionada nesta quarta-feira após notícia de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher em função de desavenças com o senador.
De modo geral, Lula ainda gera desconfiança em boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias desfavoráveis a Flávio costumam ser um suporte para o dólar ante o real.
Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$7,168 bilhões em junho até dia 26.
Estrategistas do Goldman Sachs reiteraram a recomendação “overweight” para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes, destacando que o mercado parece barato e o potencial efeito positivo de “qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia”.
