12/01/2011 - 21:00
Em 2011 e nos próximos anos, a atuação mais esperada no picadeiro não ficará mais a cargo dos trapezistas, malabaristas ou mágicos. O artista mais aplaudido será o domador de leões – um deles em particular: o do Fisco. “Em uma conjuntura de juros baixos e prazos longos, a tributação vai influir cada vez mais no resultado dos investimentos”, diz José Góes, consultor da corretora WinTrade. A tendência de curto prazo é de elevação dos juros pelo Banco Central, que deve ser vista como uma nuvem passageira para controlar a inflação.

Risco: a Receita perdoa quem negociar até R$ 20 mil por mês com ações
Mas os incentivos para quem tem paciência financeira já começam neste ano. Uma medida provisória recém-editada pelo governo, a MP 517, isentou de impostos alguns investimentos de longo prazo, em especial os títulos de renda fixa com vencimentos superiores a seis anos. A regulamentação da medida ainda não saiu, mas ela deverá fazer diferença para quem pode esperar todo esse tempo.
Os investidores menos pacientes já contam com duas maneiras de aliviar o efeito das presas insaciáveis e afiadíssimas do Leão. Uma delas, válida para todas as aplicações, é evitar prazos mais curtos do que 180 dias, pois sobre eles incide a alíquota de 22,5% de Imposto de Renda sobre a rentabilidade nominal. Acima de 720 dias, esse percentual cai para 15%.
Outra alternativa é buscar os ainda escassos investimentos isentos de impostos. Os mais conhecidos e populares são os vinculados ao mercado imobilário. A isenção de tributo foi um dos fatores que turbinaram esses fundos nos últimos anos e garantiram um bom desempenho em 2010, diz Sérgio Belleza Filho, sócio da consultoria Fundo Imobiliário.
Segundo ele, a boa rentabilidade em comparação com outras aplicações de renda fixa foi um chamariz fortíssimo para o investidor. “A rentabilidade média dos fundos que acompanho girou em torno de 26,7% em 2010”, diz ele (veja tabela).
Aos interessados, vale um alerta. Embora a rentabilidade mensal seja segura e com poucas oscilações, este é um investimento de renda variável, pois sua rentabilidade vai depender do resultado dos aluguéis de imóveis, em sua maioria comerciais.
Três fatores podem causar oscilações, diz Belleza: reajustes de aluguel, para cima ou para baixo; reformas que podem demandar capital e que são de responsabilidade do fundo; e inadimplência dos inquilinos.
“Com a economia aquecida, o risco do não pagamento de aluguéis é muito baixo, mas ainda assim ele existe”, diz. Em geral, os fundos administram imóveis ocupados por grandes empresas. Também há a opção de escolher fundos que investem em shopping centers e hotéis, considerados mais arriscados.

É possível começar a domar o Leão com aplicações a partir de R$ 2 mil. No entanto, é preciso avaliar se os custos tornarão o investimento viável. Para cobrir gastos como taxa de administração, a recomendação é que sejam investidos pelo menos R$ 4 mil, diz Bruno Carvalho, especialista em fundos imobiliários da XP Investimentos.
Também é possível limar os dentes do Leão ao operar na bolsa. O economista Salomão Santos, da iCash Investimentos, lembra que o imposto é de 15%, independentemente do prazo, desde que o investidor não compre e não venda as ações no mesmo dia, em uma transação conhecida como day-trade.
Além disso, o Leão perdoa os investidores que vendem ações por valores inferiores a R$ 20 mil no mesmo mês. Outra sugestão é investir por meio de clubes de investimento, onde é possível ter rentabilidades no longo prazo sem pagar impostos na troca e venda de ações. “O investidor só paga quando retirar-se do clube”, diz Santos.